Política

Farpas entre Marina Silva e Lula antecipam clima das eleições

Ao longo da semana, recém-filiada ao PSB critica possível abandono de tripé econômico por equipe Dilma e elogia recuperação econômica brasileira com Plano Real

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SÃO PAULO – O clima das eleições, que só acontecerão na segunda metade do ano que vem, já vem agitado há um tempo o cenário político brasileiro. Nos últimos dias, a ex-senadora recentemente filiada ao PSB (Partido Socialista Brasileiro), Marina Silva, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva trocaram farpas sobre as políticas do País durante os três últimos governos.

A antiga ministra do meio-ambiente durante o governo Lula criticou as atuais políticas ambientais de Dilma Rousseff, alegando que o governo da petista era marcado pelo “risco de retrocesso”. Ao longo da semana, Marina também elogiou as políticas econômicas da gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso segundo ela, “para não fazer injustiças”, alegando que a gestão do antecessor de Lula foi importante para a reestruturação do Brasil com o Plano Real.

Marina também fez um alerta para o possível abandono do famoso tripé econômico – importante estratégia para assegurar a estabilidade econômica do país após épocas de inflação descontrolada, alta volatilidade cambial e degradação do superávit primário. “Tudo o que conquistamos foi com compromisso com a meta (de inflação), e ao longo dos últimos anos o teto (da meta) passou a ser a realidade constante, chegando, inclusive, a extrapolar.

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“Temos a clareza de que estamos enfrentando algumas dificuldades por conta da crise mundial, mas outras devido a alguma negligência praticada em função da ansiedade política”, chegou a afirmar a ex-senadora e possível candidata à vice-presidente na chapa de Eduardo Campos, no começo desta semana.

Os elogios à oposição somados às críticas à quase afilhada política de Lula foram como veneno para o ex-presidente, que afirmou que Marina teve lições erradas de economia, destacando que o País herdado por ele era marcado por insegurança e inflação de 12%. “Ela precisa acompanhar, com mais gente, o que era o Brasil antes de a gente chegar”, afirmou o ex-presidente na última quarta-feira (30), contrapondo-se à fala de Marina, que disse que o próprio Lula havia reconhecido as conquistas da gestão de FHC e adotado políticas de continuidade.

Na tréplica da discussão, a ex-senadora afirmou nesta quinta-feira (31) que não gostaria de se precipitar e não teria “pressa em responder na mesma moeda”, colocando ainda mais fogo à discussão pré ano eleitoral. Pouco se sabe ao certo sobre a campanha de 2014 e até de quem realmente irá se candidatar pelo PSB, mas, sem dúvida, esse é um sinal de que as eleições já começaram.