Ex-chefe do GSI de Lula mandou omitir alertas da Abin sobre ameaças de ataques golpistas, diz jornal

General da reserva mandou emitir essas informações de uma minuta submetida previamente a ele; informações são da Folha de S. Paulo

Luís Filipe Pereira

Bolsonaristas invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto (Foto: Agência Brasil)

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O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Gonçalves Dias, mandou omitir alertas recebidos sobre ameaças de ataques em 8 de janeiro. A informação é do jornal Folha de S. Paulo e foi divulgada nesta quarta-feira (14). De acordo com a publicação, 11 alertas foram suprimidos após ordem do ex-chefe do GSI.

De acordo com o jornal, o general da reserva determinou à diretoria da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que fosse retirado do relatório entregue ao Congresso as notificações sobre os riscos de ataque de vândalos na capital federal.  A solicitação  da documentação foi feita pela Comissão de Atividades de Controle de Inteligência, com registros de comunicação ocorrida entre os dias 2 e 8 de janeiro.

Enviado ao Congresso em 20 de janeiro, o relatório continha diferentes mensagens enviadas por aplicativo de mensagem a diferentes órgãos do governo, mas não havia na relação de informes qualquer notificação direcionada a Gonçalves Dias, segundo a Abin. À época, a agência era comandada pelo oficial de inteligência Saulo Moura da Cunha. Ele deixou o posto em março, e no mês seguinte passou a ocupar um cargo no GSI, durante a gestão de Gonçalves Dias. Saulo pediu exoneração em 1º de junho.

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Segundo a Folha, que revelou a existência de alertas produzidos e encaminhados ao comando do GSI, o general da reserva mandou emitir essas informações de uma minuta submetida previamente a ele, utilizando o argumento de que tal troca de mensagens não ocorreu por meio de canais oficiais. Dessa forma, os alertas enviados ao então ministro só chegaram ao Congresso no mês passado, por meio de um novo relatório produzido pela Abin.

O advogado de Gonçalves Dias, André Callegari, afirmou ao jornal que o tema está sob sigilo e que o general tem respondido a todos os questionamentos apresentados no âmbito das investigações sobre as invasões dos vândalos a prédios públicos em 8 de janeiro. O ex-chefe do GSI deixou o cargo em 19 de abril, após imagens vazadas do circuito de segurança do Planalto mostrar interação dele e de outros membros da segurança do governo com os invasores.

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