Situação delicada

“Eu sempre digo: a presidente Dilma merece um Nobel ao contrário”, diz FHC

Em palestra, o ex-presidente destacou que a capacidade de liderança da presidente está abalada e que ela perdeu tanto em popularidade quanto em credibilidade

(Agência Brasil)

SÃO PAULO – Em palestra realizada em evento da Vtex nesta sexta-feira (10), o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso fez novas críticas ao governo Dilma Rousseff e fez menção às crises política e econômica ao fazer uma análise do atual momento brasileiro. 

O ex-presidente afirmou que o Brasil perdeu muitas oportunidades de inovação, o que aconteceu nos EUA caso do desenvolvimento do shale gas. O Brasil, afirma, está funcionando recentemente buscando ser solidário com o Sul, sendo que hoje esta divisão não faz mais sentido, uma vez que tanto os países do Sul podem ter regiões com características mais desenvolvidas quanto os do norte podem ter mais características do Sul, com desigualdades. 

“Eu sempre digo: a presidente Dilma Rousseff merece um Prêmio Nobel ao contrário”, destacou, provocando risadas na plateia, referindo-se aos erros de condução da política econômica. Dentre os problemas, está a corrupção na Petrobras, as medidas que “arrebentaram com o etanol”, a crise no setor energético e os problemas nas concessões de infraestrutura, afirmou, destacando que é preciso rever as concessões com o setor privado.

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“Durante o governo do presidente Lula, não houve nenhuma concessão de serviço público. Nenhuma, zero. Estrada, porto. E agora teve que fazer empréstimos abundantes através do BNDES porque o setor privado sozinho não iria. Com a condição de que o controle ainda fosse público”, ressaltou. 

Ele ainda destacou que o governo do Brasil como delicada, mas que deve haver um acordo mais para frente. 

“Nós estamos, por circunstâncias, em um momento em que capacidade de liderança da pessoa que ocupa a Presidência está muito abalada.”, afirmou.

“Tanto que entregou a chave do cofre para alguém que pensa o oposto”, referindo-se ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “E entregou pra ele fechar o cofre, ela não pode mexer mais no cofre. E agora entregou o comando político a outro que também pensa diferente, para outro partido”, completou, referindo-se ao vice-presidente Michel Temer, que passou a comandar a articulação política nesta semana. 

Segundo ele, a presidente não perdeu só popularidade, mas como também perdeu credibilidade. FHC fez críticas ainda à existência de distorções no sistema eleitoral e partidário, destacando o excesso de partidos políticos no país e o atual numero de ministérios. “Há 39 ministérios. Imagine uma empresa com 39 divisões. O CEO não vai saber o nome de quem é o chefe de cada uma”.

E, neste momento, destacou, a saída passa pelos protestos de rua, funcionamento da Justiça e a mídia reportar o que está acontecente. “Ampliar a informação, não fazer conchavo, não fazer conciliação. Mas em algum momento sempre tem de haver algum acordo. A sociedade não funciona em pé de guerra o tempo todo. A sociedade não funciona em pé de guerra o tempo todo“.