Operação Lava Jato

Esquema de propina na Petrobras incluía doações oficiais ao PT, diz executivo em delação

O executivo da Toyo Setal Augusto Mendonça afirmou que, além das doações oficiais ao PT, o ex-diretor da estatal Renato Duque recebeu por meio de remessas ao exterior e em parcelas de dinheiro vivo

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SÃO PAULO – O executivo da Toyo Setal Augusto Mendonça disse em depoimento à Polícia Federal que o esquema de corrupção envolvendo contratos da Petrobras (PETR3;PETR4) incluia doações oficiais a campanhas eleitorais, de acordo com informações da Folha de S. Paulo e do O Estado de S. Paulo.

O pagamento da propina era cobrado pelo ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque. Mendonça afirmou que, além das doações oficiais ao PT, Duque recebeu por meio de remessas ao exterior e em parcelas de dinheiro vivo. 

Mendonça estimou em “aproximadamente R$ 4 milhões” o total do valor pago em doações para o PT entre os anos de 2008 e 2011, conforme destacado pela Folha. 

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Já segundo o Estadão, Augusto Mendonça e outro executivo da Toyo Setal que também está sendo ouvido no âmbito da Operação Lava Jato, Júlio Camargo Gerin, afirmaram terem pago propinas de até R$ 60 milhões a Renato Duque e ao PT. 

Os dois executivos indicaram ainda a conta “Marinelo” mantida por Duque no exterior, em que depositaram US$ 1 milhão, revelando o esquema que envolve a diretoria controlada por petistas que movimentava dinheiro via empresas de fachada.

Segundo os delatores, afirma o Estadão, a maior parte das propinas foi paga a Duque no Brasil e que, desde 2004, havia uma combinação entre as empreiteiras que estão sendo investigadas pela Lava Jato para pagar comissões a Duque e ao ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

“Os pagamentos em favor de Renato Duque se deram em três formas: parcelas em dinheiro, remessas em contas indicadas no exterior, doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores – o PT”, afirmou Mendonça.