Imprensa internacional

Em carta, Serra rechaça matéria do FT alegando que “ele não é fã do Mercosul”

"Ao contrário do que o artigo sugere, estou plenamente convencido da importância do Mercosul e estou pronto para trabalhar com nossos parceiros", diz o ministro

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SÃO PAULO – Em carta publicada pelo Financial Times nesta segunda-feira (30), o ministro das Relações Exteriores José Serra criticou reportagem do próprio jornal britânico em que afirma que o novo titular da pasta não “é fã do Mercosul e pode propor mudanças em breve”.

“Ao contrário do que o artigo sugere, estou plenamente convencido da importância do Mercosul e estou pronto para trabalhar com nossos parceiros”, diz Serra na carta. O tucano diz ainda que é altamente questionável a afirmação da reportagem de que há uma “nova divisão” no comércio da América Latina.

De acordo com Serra, além de ser baseada no argumento altamente questionável de uma “nova divisão” na América Latina, supostamente provocada pela oposição entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico, o artigo não considera as diferenças objetivas e os dados relevantes na comparação entre os dois blocos.

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O Financial Times, na matéria, usa tom elogioso para a Aliança do Pacífico e uma visão mais crítica ao Mercosul. Sobre o primeiro bloco, o Financial Times afirma que ele “se intitula um pacto de comércio do século XXI baseado nas diretrizes da União Europeia”, enquanto o Mercosul “tem um modelo mais tradicional de comércio negociado pelo Estado e está engasgado desde a criação”.

Outro que se pronunciou, conforme informa o jornal O Estado de S. Paulo, foi o  embaixador Eduardo dos Santos, que defendeu o processo que levou Michel Temer à presidência, após o The Guardian publicar manifesto assinado por 20 deputados britânicos questionando o afastamento de Dilma Rousseff e classificando-o como “um insulto à democracia brasileira”.

“Saliento que o processo de impeachment cumpre rigorosamente com os requisitos da Constituição Federal e do Estado de direito sob o escrutínio da Suprema Corte. É incorreto descrever o processo em curso como uma manobra política que ocorre contra a vontade do eleitorado”, afirmou Santos. Na semana passada, a The Economist afirmou ainda que o impeachment foi um “jeitinho” na Constituição.