Perspectivas

Eleições, China e até o iPhone podem agitar a Bolsa na próxima semana; confira

Mercado fica atento à novas pesquisas eleitorais, enquanto dados da China devem impactar papéis da Vale

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SÃO PAULO – Mais uma semana agitada termina e as eleições continuam no centro das atenções do mercado. Apena na última quarta-feira (3), duas pesquisas agitaram os investidores após mostrar um acirramento na disputa eleitoral, com Dilma Rousseff voltando a crescer e se aproximando de Marina Silva, que ainda venceria no segundo turno. Enquanto isso, na agenda de indicadores, o Copom manteve mais uma vez a Selic em 11% ao ano e o IPCA de agosto voltou a acelerar e superar o teto da meta.

Comparado à primeira semana do mês, o período entre 8 e 12 de setembro promete ser um pouco mais tranquilo, mas nem por isso os investidores deixam de ter dados e eventos importantes para acompanhar. Serão pelo menos 4 destaques na próxima semana, incluindo mais uma bateria de pesquisas eleitorais, que novamente devem voltar a ser o centro das atenções.

“No Brasil, o investidor agora está praticamente só olhando para o mercado e para as notícias internas”, explica o economista Clodoir Vieira, da Compliance Comunicação. Segundo ele é importante a participação do investidor estrangeiro por aqui, mas no atual cenário o mercado brasileiro está sendo menos afetado pelos acontecimentos e pelos eventos internacionais. “Basicamente o investidor só olha para as eleições”, completa.

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“Na próxima semana, a disputa eleitoral continua em foco e os próximos resultados das pesquisas devem ditar o rumo do Ibovespa, sobretudo neste momento, no qual a presidente Dilma Rousseff angariou moderado avanço nas últimas pesquisas e o mercado acompanhará se tal movimento se configura como tendência, ou apenas uma correção pontual”, destacou a Coinvalores em seu relatório semanal.

1) Datafolha e CNT/MDA
Agitando o começo da semana, duas pesquisas eleitorais devem guiar o humor dos investidores entre terça e quarta-feira. Às 10h30 (horário de Brasília) o instituto de pesquisa MDA divulgará um levantamento contratado pela CNT (Confederação Nacional de Transportes) que será feito com 2.002 eleitores entre os dias 5 e 7. Seu resultado pode ser o driver do mercado na sessão do dia 9.

Enquanto isso, no Jornal Nacional do mesmo dia será a vez do Datafolha apresentar sua mais recente pesquisa. O levantamento será feito com 10.640 eleitores e foi contratado pelo jornal Folha de S. Paulo e pela TV Globo. Além da pesquisa nacional, serão feitas pesquisas regionais em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal.

2) Ata do Copom
Nesta semana o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu por manter mais uma vez – a 3ª seguida – a taxa básica de juros, a Selic, em 11% ao ano. Apesar de ser amplamente esperado pelos especialistas, o comunicado da decisão sofreu uma pequena alteração e que pode ser maior explicada na próxima quinta-feira (11) quando o Banco Central irá divulgar a Ata da reunião.

Analistas e economistas ainda se dividem sobre um possível corte nos juros ainda neste ano ou não. Quem defendia a Selic em 11% até o fim de 2014 ganhou um novo motivo para acreditar neste cenário com a retirada da expressão “neste momento” no comunicado ddo BC. Para Vieira, o documento é importante, já que sempre traz a visão da autoridade monetária para inflação, crescimento econômico e os juros, o que ajuda a traçar perspectivas para o País.

3) IBC-Br
Outro importante dado a ser apresentado é o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado por muitos como uma forma de acompanhar o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro mensalmente, ou seja, é como uma prévia da atividade econômica do País.

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No final do mês passado o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que a economia brasileira registrou contração de 0,6% no segundo trimestre, o que somado com a revisão do primeiro trimestre para queda de 0,2%, significou que o País entrou em recessão técnica.

Para a equipe da Rosenberg Associados, o resultado deve mostrar uma leve recuperação após o pior do “efeito Copa”, vindo em linha com os dados de produção industrial e comércio. “Ainda assim, não deve ser suficiente para recuperar a queda observada nos cinco meses anteriores – longe disso”, completou.

4) China
Ainda sem data definida para ser divulgada, a balança comercial da China pode trazer um grande impacto na Bolsa nos próximos dias. Como explica Vieira, os dados do gigante asiático são importantes para as empresas exportadoras, principalmente as siderúrgicas e a Vale (VALE3; VALE5). A mineradora vem sofrendo bastante nas últimas semanas com a forte queda no preço do minério de ferro e um enfraquecimento da economia chinesa pode pesar bastante para as exportações da companhia, explica o economista.

Nos últimos dias o preço do minério atingiu sua mínima histórica e especialistas já começam a mostrar grande preocupação com a mineradora, com destaque para o rebaixamento feito pelo BTG. Para se ter uma ideia, nos últimos 13 pregões, os papéis da Vale recuaram em 12 e um dado positivo na China poderia trazer um certo alívio para as ações neste momento.

“O grande destaque da semana deve voltar a ser a China que divulgará dados da indústria, inflação, varejo e exportações, que diante da ambiguidade das últimas baterias de indicadores, deve ser observada de perto”, completou a equipe da Coinvalores.

5) iPhone
Dois eventos “fora do radar” podem acabar interferindo no desempenho da Bolsa, ambos nos EUA. Na terça-feira ocorre o lançamento do novo iPhone 6 e, considerando que a Apple é o maior peso no S&P 500, um impacto nas ações da companhia podem afetar todo o índice nos EUA. Diante disso, uma melhora no humor do norte-americano também pode respingar na Bolsa por aqui. Vale destacar que uma outra data importante também ocorre na próxima semana e o sentimento dos investidores pode ser afetado, é o 11 de setembro.