Revolta dos siderúrgicos

Economista destaca: “se população se revoltou, por que empresários não fariam o mesmo?”

Enquanto Benjamin Steinbruch, não poupou críticas ontem às condições e perspectivas econômicas do Brasil e destacou a insatisfação dos investidores com o país, Gerdau falou <span> </span>que o povo deveria fazer rebelião em abril

SÃO PAULO – Nesta terça-feira (12), a fala de um dos maiores nomes do setor siderúrgico ganhou destaque. Em um tom de desabafo, o presidente da CSN (CSNA3),, durante a abertura do Congresso do Aço, que acontece hoje e amanhã em São Paulo.

“O custo Brasil não permite competir. Somente um louco investe hoje no Brasil“, afirmou Steinbruch, acrescentando as taxas de juros estão em um nível absurdo. Ele ainda destacou que a indústria do aço está em uma situação crítica no País e que precisa de uma resposta rápida do governo.

Em abril, também em um evento público, o empresário Jorge Gerdau Johannpetter, da Gerdau (GGBR4), que esteve no conselho de administração da Petrobras até esse ano, também teceu críticas a atual situação econômica. Durante palestra na 27ª edição do Fórum da Liberdade, o empresário sugeriu que a população se rebelasse diante da falta de infraestrutura e da qualidade dos serviços do País. “Uma placa que vi e achei interessante diz que a Central do Brasil há 30 anos é igual. Tem que ter rebelião, gente”, disse.

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O empresário destacou ainda que o Brasil precisa aumentar sua poupança, investir em infraestrutura e melhorar sua governança e produtividade para crescer mais dos que os índices próximos a 2% dos últimos anos. Vale ressaltar que Gerdau também esteve no mesmo evento que Steinbruch, mas não criticou diretamente o governo: porém, destacou, o Brasil vive um período “bastante difícil na siderurgia”. 

“Estas falas, quebrando o protocolo de eventos em que os empresários costumam ser mais discretos, revelam a insatisfação do empresariado com a atual conjuntura econômica”, aponta o economista-chefe da Austin Ratings, Alex Agostini, ressaltando que a situação chegou a tal ponto em que o setor produtivo está indignado.

“As manifestações de junho de 2013 mostraram: ‘não são só os R$ 0,20. Se a população se indignou, por que os empresários não irão se indignar?”, afirma Agostini, uma vez que a alta carga tributária que também é imposta a população se estende ao setor produtivo que, contudo, não vê os seus esforços refletidos.

Mesmo com os impostos, a indústria brasileira não encontra o apoio do Estado e sofre com a competitividade cada vez menor, além dos custos altos de energia, enquanto a economia está numa espiral de desaquecimento e a inflação está em alta. Ao mesmo tempo, as medidas paliativas para estimular o setor não se concretizaram, caso do Brasil Maior. “Os empresários se cansaram de promessas”, afirma o economista.

Porém, aponta o economista, não é apenas uma questão de insatisfação apenas com esse governo, e sim um “basta” contra o imediatismo das últimas gestões, que estimulam o consumo ao invés do investimento, pensando apenas no curto prazo. “Porém, no governo petista, esta situação se evidenciou ainda mais, já que abriu-se uma ‘janela de oportunidades’ em meio ao período de maior bonança para a economia brasileira, podendo abrir mais espaços para investimentos. 

Além disso, agora, não há como apontar culpados, afirma Agostini: “infelizmente, não temos mudanças e, se for, é para pior. Ao mesmo tempo, não há crise externa, uma vez que os Estados Unidos e a Europa estão se recuperando. A incompetência é interna e esse é o grande problema”, afirma. Além disso, às vésperas das eleições, pouca coisa pode ser feita. Se houver alguma mudança, avalia o economista, será para o ano que vem. 

Desta forma, o pedido dos empresariados, assim como o da população em geral, é por mudanças: “não é um ‘basta’ de rompimento, mas de fazer algo que ainda não tenha sido feito”.