Internacional

Economist destaca ida de Cunha para o oposição e lembra: “ninguém governa sem o PMDB”

Apesar das dificuldades de se governar sem o PMDB para ajudar, a publicação lembra que ter o partido ao seu lado também "não é nenhum piquenique"

SÃO PAULO – Apesar de não comandar o País diretamente, é praticamente impossível fugir da afirmação de que o PMDB tem o poder no Brasil. E é disso que a The Economist lembra seus leitores nesta semana. A publicação britânica destaca a criação do partido, ainda durante a ditadura, e lembra uma das maiores máximas da política nacional: “ninguém governa sem o PMDB”.

“Os dois presidentes que não tiveram ministros do PMDB em seu gabinete tiveram motivos para lamentar. Um sofreu impeachment com ajuda do partido. Outro foi humilhado por um escândalo de compra de votos no Congresso”, relembra a Economist em sua publicação imprensa da semana. Mas ninguém disse que ter o partido ao seu lado também é positivo.

Governar com o PMDB também não é “nenhum piquenique”, ressalta a revista. Apesar da presidente Dilma Rousseff (PT) ter tanto seu vice (Michel Temer), quanto os presidentes do Senado (Renan Calheiros) e da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha) vindos do partido, a deterioração da economia e os recentes escândalos políticos estão não só pressionando a própria presidente, mas colocando os líderes do PMDB em uma condição complicada.

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Tudo isso culminou, recentemente, na saída de Cunha do lado do governo, indo para a oposição após denúncias de que em 2011 ele teria pedido propina de R$ 5 milhões para votações na Casa. “É a pessoa, não o partido, que está abandonando a coalizão, o PMDB foi rápido em declarar. Ainda assim, a saída do deputado Cunha é uma preocupação para o presidente”, afirma a Economist.

Para piorar, Dilma está perdendo seu maior apoio, o ex-presidente Lula, que está sendo investigado de tráfico de influência em nome de construtoras. Apesar de ele negar, isso aumenta a pressão sobre o PT e a presidente. “Dilma precisa do PMDB mais do que nunca, se ela sobreviver até o fim de seu mandato em 2018″, diz a publicação.

A revista ainda lembra que na última semana o vice Michel Temer afirmou que seu partido pretende concorrer a presidência em 2018. Os boatos colocam o próprio Temer, Cunha e até mesmo o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes como principais candidatos. “Isso pode ser conversa fiada. O PMDB sempre ameaça concorrer só para extrair um patrocínio do governo”, conclui a Economist citando uma declaração do filósofo Marcos Nobre.