Diz analista político

É improvável que a “vitimização” de Lula mude quadro político, diz analista

Além disso, para Vítor Oliveira, apesar das mobilizações pró e anti governo terem ganhado força com a nova fase da Lava Jato, é difícil que haja convulsão social

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SÃO PAULO – A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (4) a 24ª fase da Operação Lava Jato, chamada Aletheia, tendo como principal alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no que parece ser o ingrediente que faltava para a crise política. 

Após a ação da PF ter se tornado pública, tanto movimentados pró-governo e pró-Lula quanto movimentos anti-petistas buscaram se mobilizar por todo o País. A ação desta sexta-feira foi considerada um “golpe” e “um ataque político” pelos governistas. O presidente do PT, Rui Falcão, convocou os petistas para entrar em estado de “vigília”. Já o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães, afirmou que agora é a hora de ir às ruas e é “guerra para impedir o golpe”. Enquanto isso, grupos anti-Dilma aproveitaram os fatos novos para convocar para novas manifestações, principalmente as do próximo dia 13 de março. 

Em coletiva à imprensa na tarde desta quarta-feira, Lula mostrou indignação com a coerção coercitiva e afirmou que jamais se recusou a dar depoimentos à Polícia Federal nas investigações da Operação Lava Jato. “A minha bronca é com o MP Estadual [Ministério Público Estadual]. Não precisaria levar uma coerção à minha casa, dos meus filhos. Não precisava, era só ter me comunicado. Antes dele, já fazíamos a coisa correta nesse país. A gente já lutava para fazer a coisa certa nesse país. Lamentavelmente preferiam usar a prepotência, a arrogância, o show de pirotecnia. É lamentável que uma parte do Judiciário esteja trabalhando com a imprensa”.

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Uma parte do clima tenso pode ser observado hoje nos lugares onde houve mandado de busca e apreensão e também no Aeroporto de Congonhas, onde ele foi depor. Manifestantes contrários e favoráveis ao ex-presidente entraram em confronto no final da manhã de hoje em frente ao escritório da Polícia Federal no Aeroporto. No local, militantes do PT e da Central de Movimentos Populares trocaram agressões e ofensas com manifestantes que protestavam contra o ex-presidente. Houve xingamentos, agressões verbais e empurrões, mas ninguém ficou ferido. Também houve tumulto no saguão do aeroporto e, depois da confusão, a Polícia Militar procurou manter afastados os grupos contrários. 

Porém, segundo afirma o consultor da Pulso Político, Vítor Oliveira, apesar de ser inegável que estamos em um momento de polarização e de radicalização, é difícil que o Brasil chegue a um nível de convulsão social. “Isso não quer dizer que não haja episódios lamentáveis, como os de hoje, mas não é nada inédito. Embora ainda que lamentável, são episódios pequenos”.

Para Oliveira, a chance de impeachment da presidente Dilma Rousseff aumentou, mas é difícil falar em probabilidades em um momento em que a Operação Lava Jato age como o “fator imponderável”. Se há poucas semanas o impeachment parecia um assunto um tanto quanto morto, agora ele adquire uma grande força em meio ao “imponderável” caldo de instabilidade já gerado na Lava Jato.

Por outro lado, o governo segue tendo muita força por ser governo, mesmo estando fraco, já que possui uma “caneta muito pesada, conseguiu tirar o apoio de Eduardo Cunha dentro do PMDB quando teve a reforma ministerial em outubro, possui o habilidoso Jaques Wagner no comando da articulação política. É dificil, mas não dá para bater o martelo”, afirma.

Lula perseguido?
Em meio à deflagração da Lava Jato, os aliados de Lula vêm criticando que o ex-presidente está sendo alvo de perseguição política, o que até poderia gerar dividendos políticos a seu maior líder. Mas, para Vítor, é improvável que a “vitimização” de Lula possa mudar o quadro: apenas quem já está do lado dele vai se mobilizar. 

“Por mais que esse discurso sirva para mobilizar quem é da esquerda, não é suficiente para mudar a indicação de que a oposição deve ser majoritária na próxima eleição”.

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