Ao jornal francês

Dilma diz ao Le Monde que não descarta candidatura nas eleições de 2018: “estou pensando”

A ex-presidente voltou a afirmar que o processo de impeachment que resultou em sua cassação foi uma fraude e uma ruptura democrática

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SÃO PAULO – Em entrevista ao jornal francês Le Monde, a ex-presidente Dilma Rousseff voltou a afirmar que o processo de impeachment que resultou em sua cassação foi uma fraude e uma ruptura democrática, “que cria clima de insegurança nas instituições políticas e que afetam toda a América Latina”. 

Dilma ainda afirmou que não descarta uma candidatura às eleições de 2018; na votação fatiada do impeachment e que causou grande polêmica e recursos ao STF (Supremo Tribunal Federal), a petista manteve os direitos políticos. “Estou pensando”, afirmou ela sobre uma próxima candidatura, durante entrevista concedida ao jornal um dia antes da sua mudança para Porto Alegre. 

Ainda sobre o processo de impedimento, ela afirmou que, “para justificar meu impeachment, eles evocaram outros motivos, como ‘o conjunto da obra’. Isso não é permitido pela Constituição. Não cabe a 81 senadores julgar a minha política, mas ao povo, através de eleições diretas.”

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Dilma destacou ainda que a motivação por trás do seu impeachment foi “interromper a operação Lava Jato e as investigações de corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois nas campanhas eleitorais”. O outro interesse, afirma ela, é implantar uma agenda neoliberal, “que não fazia parte do nosso programa”. 

A petista disse ainda que os protagonistas do impeachment são a oligarquia brasileira. “O grupo dos mais ricos, os meios de comunicação, propriedade de 100 famílias, e dois partidos, o PSDB e o PMDB e, em particular, Eduardo Cunha”, afirmou. Dilma afirmou que o PSDB perdeu quatro eleições presidenciais e que não tinha esperança, segundo as pesquisas de opinião, de ganhar a de 2018.

Para ela, o PMDB foi fundamental para o processo de redemocratização do Brasil. Contudo, “nos últimos anos, certos segmentos do PMDB, dos quais Eduardo Cunha era o líder, tornaram-se ultraconservadores nas questões sociais e morais e ultraliberais nos temas econômicos. A aliança com o PT se tornou contraditória. Mas o sistema político brasileiro, com 35 partidos, nos obriga a fazer essas alianças.”