Política

“Deputado da mala” convidou força-tarefa da Lava Jato para encontro com Temer antes do impeachment de Dilma

"Eu tenho para mim que encontros fora da agenda não são ideais para nenhuma situação de um funcionário público", disse o procurador

SÃO PAULO – O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato, afirmou nesta segunda-feira (14) que ele e seus companheiros de trabalho foram convidados pelo ex-assessor de Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures, para um encontro à noite no Palácio do Jaburu antes da votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, no ano passado.

“Eu tenho para mim que encontros fora da agenda não são ideais para nenhuma situação de um funcionário público. Nós mesmos no dia da votação do impeachment fomos convidados para comparecer ao Jaburu à noite e recusamos. Não tínhamos nada para falar com o eventual futuro presidente naquele momento”, disse em evento em São Paulo.

“Eu não sou corregedor do MP. Eu posso dizer por nós. Tivemos uma situação semelhante e nos recusamos a comparecer. Nós temos agora que avaliar as consequências dentro da política que o MP vai ter a partir da gestão dela”, completou Carlos Lima. Questionado se foi apresentada alguma justificativa para o convite, ele disse que não. “Só houve um convite e nós recusamos”.

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De cordo com o procurador, a pessoa responsável pelo convite foi Rocha Loures, um dos principais nomes da crise, que foi filmado com uma mala preta contendo R$ 500 mil em dinheiro do grupo JBS, e que seria destinado a Temer, segundo a Procuradoria-Geral da República, Rodrigo Janot.

A declaração de Lima ocorreu após a notícia de que a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, visitou o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu, fora da agenda oficial, no último dia 8. No dia seguinte, ela afirmou que foi à residência oficial da Presidência para tratar de sua posse na chefia do Ministério Público.