Perspectivas

De olho em denúncia contra Temer, 9 indicadores irão agitar a próxima semana na bolsa

Com dois feriados, um nos EUA e outro no Brasil, atenção ficará a agitada agenda de indicadores

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SÃO PAULO – Setembro começou como uma extensão do otimismo do mês anterior, quando o Ibovespa subiu 7,5%, de olho no andamento dos projetos do governo no Congresso, enquanto o PIB surpreendeu positivamente os investidores nesta sexta-feira (1). Para os próximos dias, apesar de dois feriados, um nos Estados Unidos e outro no Brasil, estarem no radar, a agenda de indicadores promete deixar o mercado bastante agitado.

No front político, atenção para duas votações no Congresso, que apesar de importante, parecem não ter tanta força para mexer com o mercado. A primeira é a da TLP – nova taxa de juros do BNDES -, que corre contra o tempo para ser aprovada no Senado, já que a proposta irá caducar no dia 7. Enquanto isso, o Congresso deve terminar de votar os destaques da meta fiscal, para que o governo enfim possa enviar a correção da projeção de déficit para os R$ 159 bilhões já anunciados.

Enquanto isso, foco especial também para a possibilidade de uma nova denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer. Analistas não acreditam em um impacto muito grande no mercado, já que o peemedebista deve ter força para derrubar esta denúncia também, mas mesmo assim, será preciso ter uma maior atenção com o que será apresentado por Janot, já que isso poderá desgastar novamente o governo e tirar o foco das reformas.

Agitação virá dos indicadores
Estão programados pelo menos 9 importantes eventos na agenda de indicadores, contanto um feriado nos EUA na segunda-feira (4) e o de Independência do Brasil, na quinta-feira (7). A liquidez deve cair bem no começo e no fim da semana, mas mesmo na quinta, será importante o investidor ficar de olho nos ADRs das companhias brasileiras negociadas em Nova York.

Na terça-feira (8), às 9h (horário de Brasília) será divulgada a Pesquisa Mensal Industrial de julho, que para os analistas do Credit Suisse deve mostrar um crescimento da produção de 0,6% em relação ao mês anterior. No dia seguinte, no mesmo horário, sai o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), com a inflação devendo registrar avanço de 0,29% em agosto, segundo a equipe do Credit.

Por fim, na agenda doméstica, atenção especial para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) na quarta-feira após o fechamento da bolsa. Já é consenso no mercado que o Banco Central irá manter o ritmo e cortar a Selic em 100 pontos-base, levando a taxa básica de juros para 8,25% ao ano. O destaque ficará com o comunicado, que deve dar a primeira sinalização para a redução do ritmo de redução.

Nesta semana, o Itaú – instituição em que Ilan Goldfajn, atual presidente do BC, trabalhava – divulgou relatório com projeções para o Copom. “Mantemos nossa expectativa de um corte de 1,00 p.p. na reunião de setembro, seguido de dois cortes de 0,50 p.p. nas duas últimas reuniões do ano e um corte adicional de 0,25 p.p. no início de 2018, o que levaria a taxa Selic para o nível final de 7,0%”, diz o documento.

Nos EUA, o ritmo diminui, com os investidores de olho nas falas de diversos integrantes do Federal Reserve, que podem trazer sinalizações sobre os próximos passos da autoridade em relação ao aumento dos juros no país, principalmente após o dado fraco do PIB norte-americano. Na mesma linha, na quarta-feira às 15h, será apresentado o Livro Bege, com projeções e uma análise da maior economia do mundo. Ainda no exterior, a China divulga balança comercial e inflação após surpresas positivas dos PMIs nesta semana

O destaque internacional fica com a reunião do BCE (Banco Central Europeu), na quinta-feira às 8h45. Segundo adiantou Ewald Nowotny, membro do Conselho do banco, a autoridade discutirá como dar início a um cuidadoso fim de seu programa de compra de ativos. “A questão não é se devemos pisar nos freios (sobre o programa) de forma abrupta, mas como iniciar a normalização de forma cuidadosa. Essa é a discussão sensata”, disse ele sobre as compras de ativos de 2,3 trilhões de euros do BCE, que devem acontecer até o final do ano. 

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Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.