Imprensa internacional

Da incrível queda de Lula à reação do mercado: o que o mundo está falando sobre a condenação do petista

Confira a repercussão internacional da sentença de Moro contra o ex-presidente

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SÃO PAULO – Ofuscando por ora a forte crise política do governo Michel Temer, a imprensa internacional destacou em manchetes com análises das mais variadas a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 9 anos e meio de prisão pelo juiz Sérgio Moro. 

O Financial Times destacou que o petista “pode ter sido o presidente mais popular da história brasileira”, mas os mercados respiraram aliviados com a notícia da condenação. Isso porque a notícia o tornará menos propenso a competir nas eleições presidenciais do próximo ano. O jornal britânico cita a disparada da B3, que passou a subir mais de 1%, além da forte queda do dólar. que levou a divisa americana a zerar os ganhos do ano.

Isso porque, caso Lula recorra em segunda instância e perca, estará impedido de concorrer às eleições de 2018. “Enquanto o atual presidente Michel Temer está enfrentando acusações de corrupção, o mercado ainda espera que Temer tenha bastante capital político para impulsionar sua agenda de reformas, incluindo a tão necessária reforma da Previdência”.

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A reportagem, publicada no site do jornal, destaca ainda a análise da Capital Economics, dando destaque para 2018: “uma vitória de Lula anularia qualquer esperança para as reformas econômicas e fiscais tão necessárias”, o que seria negativo ao mercado.

O americano The New York Times ressalta que o PT tem sido ‘atormentado por escândalos’ e perdeu a presidência no ano passado, “em uma luta pelo poder que consumiu a nação”. Conforme aponta o jornal, Lula pode recorrer, mas a decisão de Moro representa um sério golpe a seus planos para seu retorno político e um revés impressionante para quem já exerceu enorme influência em toda a América Latina.

A versão britânica do Business Insider vai mais além, destacando que a notícia “mudou tudo” para a sétima maior economia do mundo. Isso porque o ex-presidente é líder nas pesquisas eleitorais e, caso seja condenado em segunda instância, não poderá competir. Isso levará a uma disputa mais aberta pela presidência em 2018.

O também britânico The Guardian destaca “que a condenação marca uma incrível queda para Lula, primeiro presidente operário do país, que deixou o gabinete há 6 anos com 83% de aprovação”, apontando para o fato de Lula ser o político do mais alto escalão já condenado na Operação Lava Jato.

O Washington Post destaca que a decisão histórica marca a primeira condenação de um ex-presidente no país e que a sentença representa um “golpe impressionante” para um homem que foi aclamado como um líder inovador. 

O francês Le Monde classifica Lula como um “ícone da esquerda latino-americana”. Segundo o jornal, o veredito de Moro põe em risco as chances de Lula de participar das eleições presidenciais de 2018. A sentença de Moro determina a interdição de Lula para exercer cargo ou função pública por 19 anos, mais que o dobro do tempo da pena.

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Já o The Telegraph destacou que a decisão era amplamente esperada, até mesmo pela equipe de defesa de Lula. “Mas, ainda assim, é impressionante: o líder carismático deixou o cargo com alta popularidade e se credita a ele a retirada de milhões de brasileiros da pobreza”.

Na América Latina, o argentino “El Clarín” também destacou (assim como o Financial Times) o movimento do mercado. Além disso, ressalta que o partido do ex-presidente, o PT, prepara mobilizações em todo o País em protesto contra a condenação.