Copa e inflação

Copa pode salvar Dilma, mas adiantou “estouro” da inflação em junho

IPCA apresentou elevação acima do esperado e ultrapassou teto da meta, com destaque para a aceleração dos preços de serviços como hotéis e passagens aéreas

SÃO PAULO – A Copa do Mundo está sendo positiva para Dilma Rousseff, uma vez que o sucesso na organização se reflete em uma melhor visão dos brasileiros sobre a presidente. Porém, nem por isso ela não trouxe alguma dor de cabeça para o governo nacional. 

E um dos reflexos negativos foi o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de junho, que apresentou elevação de 0,40%, menor que a registrada em maio (de 0,46%), mas acima do esperado pelo mercado. Além disso, a variação do índice de inflação tido como referência pelo governo ganhou fôlego e rompeu o teto da meta de inflação imposta pelo Banco Central (de 6,5%), chegando a 6,52%.

Conforme ressalta a Rosenberg Consultores Associados, o efeito Copa contribuiu para que o IPCA ultrapasse o teto da meta de 6,5% ao ano. Se contrapondo ao movimento do IPCA de junho, a variação dos preços livres apresentou aceleração, passando de 0,41% para 0,45%, avalia a Rosenberg. A variação acumulada em 12 meses também voltou a se elevar, de 7,04% para 7,28%.

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“A pressão mensal deveu-se à aceleração dos serviços (de 0,30% para 1,10%), com a taxa em 12 meses superando os 9% (de 8,59% para 9,08%) – as elevações fortes em passagem aérea e hotel contribuíram de forma importante nesta leitura”, avaliam os economistas, em meio aos efeitos do torneio esportivo. 

Por outro lado, no curto prazo, o recuo em alimentação deve ser bastante benigno ao IPCA, ajudando a contrabalançar pressões advindas dos serviços, em especial os relacionados à Copa do Mundo e ao turismo, e dos administrados. O destaque fica para a tarifa de energia elétrica, que volta a ser destaque com o reajuste anunciado para São Paulo, de 18,06% ao consumidor, além de outras capitais com elevação programada para o segundo semestre de 2014, avalia a Rosenberg. 

O período do meio do ano, que costuma ser sazonalmente favorável a descompressão da inflação, vem surpreendendo com taxas acima do esperado, com os serviços se mantendo em patamar bastante elevado, aponta a consultoria. 

Ainda assim, os economistas esperam uma reversão da forte pressão no grupo de despesas pessoais nos próximos meses. Isso mesmo que não em magnitude suficiente para trazer a taxa em doze meses para dentro da meta do Banco Central. Para a Rosenberg, o IPCA deve ir para o centro da meta apenas ao final deste ano, terminando 2014, segundo as expectativas, em 6,3%.