Deu tudo certo

Contrariando “profecias”, Olimpíada não foi uma catástrofe: o que ela representou para o Brasil?

Imprensa internacional e analistas fazem paralelos da situação olimpíca com a economia e com a política nacional

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SÃO PAULO – Os Jogos Olimpícos se despedem do Rio de Janeiro no fim de semana, tendo como resultado algumas controvérsias mas também muitas surpresas positivas para o Brasil e para quem acompanhou o evento pelo mundo (que via o evento com grande preocupação). 

A cobertura internacional foi intensa e também muito diversa, entre críticas à organização dos Jogos Olimpícos e também “críticas das críticas”. Além disso, revistas e colunistas especializados traçaram diversos paralelos entre a Olimpíada e a situação econômica, política e institucional do País. 

O Financial Times ressalta que, a auto-estima dos cariocas aumentou depois de ter registrado “instabilidade” antes da cerimônia de abertura, com o Brasil enfrentando a sua pior recessão em anos, o enfrentamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff, epidemia do zika vírus, sujeira na Baía de Guanabara, histórico de violência, entre outros. 

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Um dos motivos para a “recuperação” dessa auto-estima foi a reviravolta no caso Ryan Lochte, em que ele deu um falso depoimento à Polícia falando que foi roubado no Rio de Janeiro, farsa esta descoberta depois pelas autoridades policiais. 

O caso do nadador americano, inclusive, fez com que a imprensa e especialistas internacionais traçarem um paralelo entre a investigação e a boa qualidade das nossas instituições brasileiras. Em coluna desta semana, Kenneth Rapoza, da Forbes, destacou que o esportista americano agora sabe que “ninguém está acima da lei no Brasil”, em meio à investigação policial que culminou a descoberta da farsa de Lochte que, na verdade, não foi roubado, enquanto Brian Winter, escritor e especialista em América Latina do centro de pesquisas Council of the Americas, em Washington, para a BBC Brasil, destacou que, em países sérios, “você não pode mentir para polícia”. Ambos fazem paralelo com a Operação Lava Jato para representar a melhora das instituições brasileiras. 

Também houve quem destacou que o caso dele exaltou os nervos dos brasileiros, já traumatizado com a violência nacional. Destaque ainda para a Nancy Armour, colunista do jornal “USA Today”, que escreveu serirrelevante se a história era ou não mentira. Que o Rio é, sim, uma cidade violenta, e que a polícia deveria ter algo mais importante para se preocupar, o que gerou um intenso debate.

Mas não foi só o “caso Ryan Lochte” que gerou forte repercussão e paralelo com o quadro nacional. A Olimpíada foi utilizada para destacar a atual situação econômica e política do País. 

Segundo a revista Fortune, os Jogos podem marcar o “fundo do poço” para o Brasil. Isso porque, depois de meses de notícias negativas e previsões catastróficas para o evento, a ausência de grandes problemas e a aparente reação da economia indica que o País chegou ao fundo exatamente durante os Jogos. A partir de então, tudo pode melhorar. 

“Investidores acham que os dias mais escuros do país podem terminar com as festas dos Jogos, se é que já não terminaram” ressaltando que, a Olimpíada está ocorrendo sem os esperados problemas. “A surpresa positiva faz investidores indicarem outro ponto em que o Brasil está indo melhor do que esperado: a Bolsa subiu quase 35% até agora em moeda local”, diz. Para a revista, o pessimismo em torno da Olimpíada pode marcar a virada no sentimento no país.  

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Ainda sobre economia, matéria da edição desta semana chamada “o único caminho é para cima”, a revista britânica The Economist fez um paralelo entre Thiago Braz, vencedor da prova de salto com vara na Olimpíada e a economia brasileira, que está dando sinais de recuperação. “Para muitos brasileiros, o ponto mais alto dos Jogos Olimpícos do Rio de Janeiro foi o dia 15 de agosto, no Engenhão, quando Thiago Braz ganhou uma medalha de ouro inesperada no salto com vara. A economia do Brasil não está nem perto de realizar um grande feito como o salto de Braz, mas está dando alguns sinais de retomada”, afirma a publicação.

Críticas e elogios
O pessimismo em torno do País também foi alvo de críticas de outros colunistas. Após toda a polêmica criada com a crítica do repórter americano David Segal, do jornal americano “The New York Times” a um dos símbolos das praias cariocas, o biscoito “O Globo”, a mesma publicação (desta vez com um outro colunista) trouxe um tom bastante elogioso sobre o Brasil, ressaltando que o País “é o cemitério dos pessimistas”. 

O colunista Roger Cohen, que foi correspondente no Brasil se disse muito cansado do noticiário negativo sobre a nação. “Estou cansado, muito cansado, de ler reportagens negativas sobre a Olimpíada brasileira”, afirma o colunista, afirmando que o País tem uma grande capacidade de superar seus problemas. 

Há quem fale que, mesmo com o sucesso da Olimpíada, não há bons ventos para o Brasil no futuro. O portal americano “Politico” destacou que, agora, “sonho olímpico do Brasil morreu” e “quando [a festa] acabar, o Brasil vai voltar a ser… o Brasil”, ao falar sobre a perspectiva que o País tinha ao realizar o evento. 

“O Brasil fracassou na tentativa de alcançar a promessa dos Jogos, que foram propostos como uma chance para o país se reinventar e revitalizar sua infraestrutura, sistema de transportes, bacias naturais e finanças públicas em frangalhos. Isso parece ótimo no papel, mas a autofelicitação nacional em curso no Rio é desmentida pela realidade”, afirma. Para a revista, a Olimpíada está representando uma consolidação da deterioração do País.