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Conheça Armínio Fraga, o escolhido de Aécio para conter a debandada do mercado

Economista experiente e bastante renomado, Fraga foi presidente do Banco Central entre 1 de março de 1999 e 17 de janeiro de 2002, durante o governo Fernando Henrique Cardoso

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SÃO PAULO – O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, anunciou na madrugada de quarta-feira que, se eleito, seu ministro da Fazenda será o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. A declaração de Aécio ocorreu em seus últimos comentários durante o debate de presidenciáveis na TV Band, em São Paulo.

Pesquisa Ibope divulgada na terça-feira mostrou Aécio em terceiro lugar na corrida presidencial, com 19% das intenções de voto, atrás da líder Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição, que apareceu com 34%, e Marina Silva (PSB), com 29%. A pesquisa CNT/MDA de hoje também mostrou um cenário parecido, com Aécio na terceira posição, com apenas 16% das intenções de voto no primeiro turno. 

Conforme aponta o consultor político e blogueiro do InfoMoney, Vítor Oliveira, o anúncio de Fraga é uma medida para que Aécio se mantenha como opção preferida do mercado, tentar segurar o fluxo de doações, ao mesmo tempo em que torce para que “a onda da Marina Silva [candidata pelo PSB] passe”.

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Aécio não tinha Campos, e muito menos a presidente Dilma Rousseff, como rivais na arena do mercado financeiro. Mas um dos primeiros acenos de Marina feitos após ser oficializada como candidata do PSB foi para esse setor. Colaboradores de Marina têm procurado construir pontes com o mercado, consolidando nesse segmento a ideia de que ela adotaria uma postura pró-mercado, caso eleita. Com isso, o tucano procura agir com novas sinalizações para o mercado de que seu time econômico é mais bem preparado. 

Economista experiente e bastante renomado, Fraga foi presidente do Banco Central entre 1 de março de 1999 e 17 de janeiro de 2002, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Atualmente, Fraga administra bilhões através da Gávea Investimentos. Antes de passar pelo governo, o economista teve uma sólida carreira na iniciativa privada, sendo diretor-gerente da Soros Fund Management em Nova York entre 1993 e 1998. 

O economista também trabalhou na Salomon Brothers em Nova York e no Banco de Investimentos Garantia, no Brasil, além de ser diretor de Assuntos Internacionais do BC. Além disso, ele foi integrante do conselho de administração do Unibanco e presidente do Conselho de Administração da BM&FBovespa. 

E o economista vem batendo forte no governo: em extensa entrevista à revista Veja desta semana, ele destacou que a situação do Brasil agora é pior do que quando foi presidente do Banco Central em 1999, em plena crise cambial no País. 

O economista atacou a política econômica do governo Dilma, apontando que os juros foram reduzidos de maneira “voluntarista”. “Foi uma política esquizofrênica”, afirmou. Depois de cortar a taxa de juros básica, a Selic, para 7,25% ao ano em 2013 – menor patamar histórico -, o governo precisou elevar para 11% a.a., entre abril de 2013 a maio deste ano, nível que se mantém até hoje e acima daquela herdada por ela. 

Já em evento promovido pela Exame no dia 13 de agosto, mesmo dia da trágica morte do presidenciável Eduardo Campos (PSB), ele ressaltou que “o gasto tem que crescer menos que o PIB (Produto Interno Bruto) e a tendência é que isso seja feito o mais rápido possível”. 

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Fraga acenou ainda com uma estrutura tributária mais simples, por meio da introdução do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em substituição ao ICMS, IPI, PIS e Cofins. “Uma reforma (tributária) caprichada é difícil, mas o momento chegou”, disse Fraga. “O governo (federal) pode oferecer um mínimo de segurança aos Estados.”

Fraga fez várias críticas ao atual governo, inclusive sobre a administração da Petrobras (PETR3;PETR4) e do setor elétrico, além da gestão fiscal. “Vários setores da economia estão se dando conta de que esse modelo não deu certo”, destacou. Ele também afirmou que a meta de 4,5% ao ano da inflação é muito alta e pode ser reduzida “lentamente” nos próximos anos. Mas admitiu a possibilidade de um ‘tarifaço’ no começo de 2015, termo usado pelo mercado para se referir à expectativa de ajustes de preços administrados, como de energia elétrica e dos combustíveis.

(Com Reuters)