Ventos vão mudar...

Com mercado “votando e não investindo”, Fundo Verde reduz ainda mais exposição em Bolsa

Gestor de um dos maiores fundos do Brasil cita Benjamin Graham e diz que fundamentos problemáticos do Brasil devem se sobrepor ao rali eleitoral

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SÃO PAULO – “No curto-prazo, o mercado é uma máquina de votação mas, no longo prazo,  o mercado é uma balança”. É com essa frase do lendário Benjamin Graham que o Fundo Verde, um dos maiores hedge funds do mundo, inicia a sua carta divulgada a cotista para falar sobre o desempenho de abril, quando registrou um desempenho negativo de 0,95%, com baixa acumulada de 2,88% no ano. Apesar da queda enquanto o movimento é de alta em ativos no Brasil, o fundo prevê uma virada. 

O gestor do fundo, Luis Stuhlberger, destaca a frase do professor e ex-chefe de Warren Buffett para abordar o atual momento dos mercados e como isso tem se refletido na estratégia do Fundo Verde. 

Para ele, o mercado brasileiro nos últimos dois meses vê os investidores “‘votando’ no termo de Graham”, na direção de transformar quedas nas pesquisas de popularidade presidencial em altas nos preços de ativos, especialmente as ações de empresas estatais”, em apreciação cambial e em quedas das taxas de juros de longo prazo.

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Além disso, “colabora para o processo o fato do ambiente global se tornar – temporariamente -mais atrativo para a melhora do sentimento com mercados emergentes, com quedas nas taxas de juros dos países desenvolvidos e medidas de volatilidade atingindo patamares próximos aos mais baixos da história”, afirma o gestor.

De acordo com Stuhlberger, este cenário tem ido na direção contrária às posições do fundo. “Mas nós, como Graham, vemos a ‘balança’ dos fundamentos pendendo fortemente para o lado contrário, com renovada deterioração das perspectivas de crescimento, inflação, fiscal e conta corrente do País”, afirma o gestor.

E o gestor ressalta que, com o pêndulo do mercado oscilando nos últimos meses da convicção total da reeleição para a crença absoluta na vitória da oposição, ele aproveitou para diminuir ainda mais as suas alocações em ações brasileiras. Atualmente, ela se limita em uma exposição líquida de apenas 5%. No longo prazo, avalia, a balança do mercado vai pender para o lado dos fundamentos problemáticos.