Análise

Bolsonaro estaciona, Alckmin lidera rejeição com Lula e insatisfação triunfa: os destaques da pesquisa XP/Ipespe

Número elevado do grupo dos "não voto" combina com a rejeição generalizada a praticamente todos os candidatos conhecidos pelos eleitores, o que indica um desgaste e descolamento com a política como ela tem sido apresentada

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SÃO PAULO – Uma das principais constatações possíveis a partir da nova pesquisa XP/Ipespe, divulgada com exclusividade pelo InfoMoney na manhã desta sexta-feira (15), é a incapacidade de o deputado Jair Bolsonaro (PSL), apesar de líder na corrida presidencial sem o ex-presidente Lula, superar o teto de 1/4 do eleitorado.

Após atingir seu maior patamar na quarta semana de maio, o parlamentar indica uma tendência de queda em direção à faixa entre 19% e 22% das intenções de voto, o que mostra uma dificuldade em conquistar apoio de outras faixas de eleitores localizadas mais ao centro, apesar de alguns esforços recentes em suavizar o discurso.

A perda de fôlego também é notada na pesquisa espontânea, quando não são apresentados nomes de candidatos aos entrevistados. Nesta situação, o deputado voltou aos 13% registrados no primeiro levantamento, após chegar a marcar 18% em sua melhor semana. O cenário espontâneo é um importante sinalizador da cristalização de votos de um candidato.

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O levantamento também trouxe más notícias ao ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), que viu sua rejeição saltar de 53% em maio para atuais 60%, numericamente empatado com Lula na liderança neste indesejável quesito. O tucano não consegue chegar aos dois dígitos nas pesquisas e tem sofrido crescente pressão de aliados e outras lideranças da centro-direita.

Em contraste, Alckmin, que ficou conhecido no meio político como “campeão de resta um”, reitera que só deverá crescer durante o período de campanha, o que não bloqueia a tendência de crescimento no nível de cobrança sobre seu desempenho. Entre julho e agosto, os partidos terão que definir os rumos em termos de alianças e candidaturas lançadas para a corrida eleitoral.

A viabilidade do tucano será importante para nortear os caminhos de siglas, sobretudo do “centrão”, que já chegaram a ensaiar um flerte com Ciro Gomes (PDT). Ele deu sinais de que entendeu o recado, resta saber se as ações surtirão efeitos. A rejeição recorde do governo do presidente Michel Temer (81% avaliam como ruim ou péssimo) também oferece riscos ao tucano, assim como a qualquer candidatura de centro-direita que tenha uma agenda econômica que gere imagem de continuidade.

Outro destaque é o patamar elevado de brancos, nulos e indecisos. A menos de quatro meses da eleição, os “não voto” somam 65% na pesquisa espontânea. Eles chegam a 34% na simulação de primeiro turno estimulada sem uma candidatura própria do PT. O número elevado combina com a rejeição generalizada a praticamente todos os candidatos conhecidos pelos eleitores, o que indica um desgaste e descolamento com a política como ela tem sido apresentada.

Por fim, a pesquisa reforça o papel exercido por Lula no processo eleitoral, mesmo preso há mais de dois meses no âmbito da operação Lava Jato. Mesmo que provavelmente seja impedido de participar da disputa, em função da Lei da Ficha Limpa, o petista tem forte poder de transferência de votos.

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Foi o que se observou no caso do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT), que vai de 2% a 11% apenas com a inclusão da explicação “apoiado por Lula” após a apresentação de seu nome pelo pesquisador. Sem esse estímulo, os maiores herdeiros do capital político de Lula são Ciro Gomes e Marina Silva, conquistando algo entre 18% e 20% destas intenções de voto cada. Até mesmo no último cenário testado, com o apoio canalizado a Haddad, a dupla conquista 13% e 12%, respectivamente, dos eleitores de Lula.

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