Política

Bolsonaro critica decisão de Alexandre de Moraes e diz que “brevemente” Ramagem comandará a Polícia Federal

Em cerimônia de posse de ministros, presidente chegou a ler dois artigos da Constituição, para ressaltar a independência entre os Poderes

Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou, nesta quarta-feira (29), decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impediu a nomeação de Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, mas disse que “brevemente” concretizará o “sonho” de dar posse ao escolhido.

Alexandre Ramagem é homem de confiança da família Bolsonaro. Delegado de carreira da Polícia Federal, ele se aproximou do clã durante a campanha de 2018 e cuidou da segurança do então candidato à presidência depois da facada sofrida em Juiz de Fora (MG). Passou a comandar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em junho passado. Sua nomeação para o comando da PF foi criticada e sofreu uma onda de contestações jurídicas.

Na decisão que suspendeu a posse, o ministro Alexandre de Moraes citou as acusações feitas por Moro de tentativas de Bolsonaro intervir nos trabalhos da corporação. A liminar atendeu a pedido feito pelo PDT, que alegou “abuso de poder por desvio de finalidade” do presidente. Com a decisão, Bolsonaro editou um decreto que cancelou a nomeação e manteve Ramagem na Abin.

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Na cerimônia de posse dos ministros André Mendonça – que sai da Advocacia-Geral da União para substituir o ex-juiz federal Sérgio Moro no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública – e José Levi – que assume a AGU –, o presidente chegou a ler os dois primeiros artigos da Constituição, para ressaltar a independência entre os Poderes, insinuando que a decisão do magistrado desrespeitou o preceito.

“A nossa Polícia Federal não persegue ninguém, a não ser bandidos”, disse. “Respeito o Poder Judiciário, respeito suas decisões, mas nós, com toda certeza, antes de tudo, respeitamos a nossa Constituição. O senhor Ramagem, que tomaria posse hoje, foi impedido por uma decisão monocrática de um ministro do Supremo Tribunal Federal”.

“É uma pessoa que conheci no primeiro dia após o fim do segundo turno, que foi escolhido pela Polícia Federal do governo anterior como homem de elite, um homem honrado, um homem com vasto conhecimento. Um homem à altura de representar e de ser o chefe da segurança do chefe da presidência da República. Creio esta ser uma missão honrada para o senhor Ramagem. E eu gostaria de honrar no dia de hoje dando-lhe posse como diretor-geral da Polícia Federal. Eu tenho certeza que esse sonho meu, mais dele, brevemente se concretizará para o bem da nossa Polícia Federal e do nosso Brasil”, continuou.

Apesar das críticas à decisão do ministro Alexandre de Moraes, o presidente também fez acenos ao STF e ao próprio Congresso Nacional. O presidente do tribunal, ministro Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes compareceram ao evento no Palácio do Planalto.