Contra o impeachment

Bernie Sanders condena “golpe de Estado” no Brasil e pede ação do governo americano

"Temos que nos levantar pelas famílias trabalhadoras do Brasil e exigir que essa disputa seja resolvida com eleições democráticas", escreveu o senador democrata

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SÃO PAULO – Pré-candidato derrotado para representar o Partido Democrata nas eleições presidenciais americanas deste ano, o senador Bernie Sanders divulgou comunicado em que condena o que chamou de “golpe de Estado” realizado no Brasil, processo que culminou no afastamento da presidente eleita Dilma Rousseff. No documento, o parlamentar pede que o governo dos Estados Unidos assuma uma posição sobre o processo de impeachment e manifesta apoio à proposta de antecipar eleições presidenciais a fim de se resolver a crise brasileira.

Essa não foi a primeira vez que um político americano revelou preocupação com o processo político no Brasil. Em julho, cerca de 40 deputados assinaram uma carta endereçada ao secretário de Estado americano, John Kerry, alertando para “ameaça às instituições democráticas” brasileiras e pedindo “máxima cautela” nos contatos e manifestações de apoio ao governo interino de Michel Temer.

Veja a íntegra da nota assinada pelo senador Bernie Sanders:

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BURLINGTON, 8 de agosto — Estou profundamente preocupado com o atual esforço para remover a presidente democraticamente eleita no Brasil, Dilma Rousseff. Para muitos brasileiros e observadores, o controverso processo de impeachment mais se assemelha a um golpe de Estado.

Depois de suspender a primeira mulher presidente do Brasil em bases duvidosas, sem mandato para governar, o novo governo interino aboliu os ministérios das mulheres, igualdade racial e direitos humanos. Eles imediatamente substituíram uma administração diversa e representativa por um gabinete composto inteiramente por homens brancos. A nova administração não eleita rapidamente anunciou planos para impor austeridade, aumentar a privatização e instalar uma agenda social da direita.

O esforço para remover a presidente Rousseff não é um processo legal, mas sim político. Os Estados Unidos não podem permanecer em silêncio enquanto instituições democráticas de um de nossos mais importantes aliados são prejudicadas. Temos que nos levantar pelas famílias trabalhadoras do Brasil e exigir que essa disputa seja resolvida com eleições democráticas.