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Após “trapalhada”, Fitch alerta governo do que pode acontecer se não houver reforma da previdência

Contudo, avaliação é de que ela ficará para o próximo governo

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SÃO PAULO – O noticiário atrapalhado sobre a previdência na tarde de ontem serviu para dar uma “amostra grátis” para o governo e Congresso sobre o que pode acontecer caso realmente decidam enterrar a nova previdência, aponta a Coluna Painel, da Folha de S. Paulo. 

Além da queda de 1,22% do Ibovespa e do dólar diminuindo a queda, a agência de classificação de risco Fitch Ratings avisou que, nesse cenário sem reforma,  rebaixará a nota de crédito do Brasil (atualmente em BB-, dois degraus abaixo do grau de investimento), o que deve encarecer financiamentos e desestimular investimentos.

Ontem, o anúncio do líder do governo do Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), do adiamento da votação da reforma da Previdência para fevereiro de 2018 surpreendeu integrantes do governo, incluindo o próprio presidente Michel Temer, que desmentiu o acordo. 

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Em nota, o Palácio do Planalto informou que Temer ainda definirá com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), a data da votação. Na avaliação de governistas, Jucá “queimou a largada” porque o governo se esforçava para anunciar o adiamento somente na próxima semana.

Conforme destacou a consultoria Arko, os sinais mostram governo longe de voto, consenso e data. “O descompasso entre Congresso e Executivo é até surpreendente, dada a normal capacidade de articulação desse governo junto ao Congresso, ainda mais vindo de aliado como Romero Jucá”. E apontam: “é improvável que a reforma seja aprovada sob governo de Michel Temer”.

Desta forma, o governo pode adiar uma definição sobre a reforma e até colocá-la para fevereiro – mas o fato de ser um ano eleitoral deve representar mais um desafio à sua aprovação.