Política

Após 60 anos na política, Sarney diz que não disputará eleições e deve se aposentar

"Entendo que é chegada a hora de parar um pouco com esse ritmo de vida pública, que afastou-me muito do convívio familiar", destacou em texto divulgado pela sua assessoria de imprensa

SÃO PAULO – Após 60 anos de vida política, o senador José Sarney (PMDB-AP), de 84 anos, afirmou que não se candidatará à reeleição no Senado e deve se aposentar. “Essa decisão já estava tomada, comuniquei isso ao meu partido na semana passada. Entendo que é chegada a hora de parar um pouco com esse ritmo de vida pública, que afastou-me muito do convívio familiar”, destacou em texto divulgado pela sua assessoria. 

Sarney justificou a aposentadoria ao dizer que pretendia passar mais tempo ao lado de sua mulher, Marli, que está doente e vive em São Luís (MA). Por outro lado, o cenário político bastante desfavorável pesou, uma vez que pesquisas locais mostram alta rejeição a Sarney no Amapá. Durante evento realizado ontem com a presidente Dilma Rousseff no estado, o senador foi vaiado cinco vezes e também foi alvo de críticas indiretas do governador Camilo Capiberibe.

José Sarney é o político brasileiro com a mais longa carreira no plano nacional e assumiu o seu primeiro cargo eletivo em 1955, como deputado federal. Depois de mais dois mandatos, ele foi governador do Maranhão e senador pelo estado por três vezes seguidas antes de chegar à presidência, no lugar de Tancredo Neves, em 1985. Após o fim do mandato, ele voltou ao Senado: elegeu-se pelo Amapá por três vezes, nas eleições de 1990, 1998 e 2006 e presidiu o Senado por quatro vezes.

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Confira a nota divulgada à imprensa pela assessoria de Sarney no Amapá: 

“Nota à Imprensa

O senador José Sarney (PMDB-AP) manifestou-se, agora há pouco, a respeito do episódio ocorrido nesta segunda-feira (23) em Macapá, por ocasião do evento do programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, em que foi hostilizado por militantes partidários de declarada oposição a ele.
Era esperado que isso pudesse ocorrer, diz, primeiro pelo acirramento do pleito eleitoral que se avizinha, segundo, pela própria mobilização feita com esse propósito, fato este do conhecimento de todos. Sarney diz ter sido convidado pessoalmente pela amiga e aliada Dilma Rousseff, presidente do Brasil e entusiasta do programa de habitação popular iniciado ainda na gestão de Luís Inácio Lula da Silva, outro companheiro de sua estima. Sarney foi, mais uma vez, diplomático, seguiu o protocolo que o evento exigia, para prestigiar a amiga Dilma e os amapaenses beneficiados pelo programa.
Diz também ter recebido no evento – como ocorre por onde quer que vá no país e fora dele – o carinho e a consideração de brasileiros que reconhecem a importância de seu papel na condução do país à redemocratização. “Lá mesmo, na festa da presidente Dilma, muitas pessoas aplaudiram, espontaneamente, a minha presença e a ajuda que tenho dado ao Brasil e ao Estado”, acrescenta o ex-presidente.
O senador, de 84 anos, também confirmou aquilo que seus amigos mais próximos e os aliados em Macapá foram comunicados na semana passada, de que não vai disputar a reeleição para o Senado em outubro próximo. “Essa decisão já estava tomada, comuniquei isso ao meu partido na semana passada. Entendo que é chegada a hora de parar um pouco com esse ritmo de vida pública que consumiu quase 60 anos de minha vida e afastou-me muito do convívio familiar”, declarou.
Sarney tem acompanhado de perto as idas e vindas da esposa, Dona Marly, aos hospitais em repedidas cirurgias e lentos processos de recuperação, em casa, como ocorre atualmente.
Ele confirma presença na Convenção do PMDB na próxima sexta-feira, dia 27. E diz também que irá participar das eleições deste ano, não como candidato, mas ajudando de todas as formas, ao inúmeros amigos e aliados que estarão na disputa. Também será a ocasião para se dirigir aos correligionários e simpatizantes, bem como aos cidadãos e cidadãs de bem do Amapá, a quem nutre profunda gratidão.

Macapá-AP, 23 de junho de 2014″