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Escolhido pela família para centralizar as manifestações públicas do pai após a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que o “objetivo único” da oposição agora é aprovar a anistia aos condenados e investigados pelos atos do 8 de Janeiro. A fala foi feita após a reunião de emergência convocada nesta segunda-feira na sede do PL, que reuniu Michelle Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan, além do advogado Paulo Bueno e parlamentares alinhados ao núcleo mais ideológico da legenda.
— Nosso objetivo único a partir deste momento é o projeto de anistia na Câmara dos Deputados. Não abrimos mão de isentar essas punições absurdas, ainda mais depois dessa decisão de tirar Bolsonaro da prisão domiciliar.

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No encontro, dirigentes e parlamentares acertaram apoiar a tramitação do projeto que reduz penas — relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP) — como forma de manter o tema vivo e, em paralelo, e tentar alterá-lo em plenário, para ressuscitar a anistia total. Estiveram presentes nomes como Nikolas Ferreira, Altineu Cortês, Sóstenes Cavalcante, Rogério Marinho e Carlos Portinho.
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A estratégia, porém, tem poucas chances de prosperar: o destaque dependeria de um apoio muito superior ao tamanho da bancada bolsonarista, que soma pouco mais de noventa deputados.
— Nós defendemos a anistia e alguns a dosimetria. Quem tiver mais votos que vença — disse Rogério Marinho, líder do PL no Senado.
A movimentação representa uma mudança de posição do PL, que até a semana passada sustentava publicamente que a anistia ampla era a única alternativa. Agora, parte da bancada avalia que apoiar a dosimetria garante uma reação política imediata à prisão do ex-presidente e reabre margem de negociação com o Centrão.
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Líderes desses partidos, porém, afirmam que não há ambiente para votar qualquer proposta relacionada ao 8 de Janeiro. O assunto será levado à reunião de líderes desta terça-feira, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, só deve pautar a matéria se houver consenso — o que não ocorreu nas últimas semanas.
O texto de redução de penas também alcançaria Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão, e poderia diminuir a pena em pelo menos sete anos.
Embora a manifestação de Arthur Lira (PP-AL) em defesa de Bolsonaro tenha animado parte da oposição no sábado, aliados do presidente da Câmara classificam o gesto como simbólico e avaliam que a pauta segue travada.
Paulinho da Força afirmou no fim de semana que a prisão poderia acelerar a votação, mas seu entorno já descarta que o projeto avance esta semana diante da resistência do Centrão.
Flávio como porta-voz do bolsonarismo
Após a prisão de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foram cotados como possíveis porta-vozes do ex-presidente. Na reunião de hoje, o senador foi escolhido como o intermediador do pai. Nesta terça-feira, ele visita o ex-mandatário na superintendência da Polícia Federal.
Durante a coletiva, ele reforçou que a saúde do pai está fragilizada e que a família deseja sua recondução para a prisão domiciliar, o que foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes após a tentativa de danificar a tornozeleira eletrônica.
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A decisão de Moraes que levou Bolsonaro à custódia cita uma convocação feita por Flávio para uma vígilia que ocorreria no sábado. Na argumentação do ministro, o ex-mandatário teria tentado romper a tornozeleira para fugir. Flávio negou intenção de fuga do pai e reiterou a versão da defesa, de que Bolsonaro estaria em surto.
— Quando vazam o vídeo dele com som, é um consenso de que a voz estava alterada e arrastada. Quando vem o laudo médico comprovando quais remédios ele tinha tomado, Alexandre de Moraes vira um negacionista da ciência — afirmou o senador.
Neste domingo, em audiência de custódia que manteve sua prisão, Bolsonaro disse ter tomado sertralina e pregabalina, o que foi confirmado por sua equipe médica em seguida.
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