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ADRs da Cemig disparam 9% e Petrobras sobe mais de 3% após derrota do Brasil

Derrota em campo puxou otimismo do mercado com possível perda de popularidade de Dilma Rousseff; índice Brazil Titans fechou em alta de 1,24% neste pregão

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SÃO PAULO – O sofrimento do Brasil em campo foi transformado hoje em otimismo. Com a Bovespa fechada por conta do feriado em São Paulo, a referência do mercado ficou com os ADRs (American Depositary Receipts) brasileiros negociados nos Estados Unidos, que mostraram fortes ganhos depois do massacre sofrido pela Seleção brasileira.

O índice Brazil Titans 20 Dow Jones, negociado na Bolsa de Nova York, que têm como principal referência as maiores e mais líquidas ações brasileiras que possuem ADRs, fechou em alta de 1,24% nesta quarta-feira. Os principais destaques ficaram com os recibos de ações da Cemig (CMIG4), que dispararam 9,12%, a US$ 8,02, e os da Petrobras (PETR3; PETR4). Os ADRs PBR, que representam as ações ordinárias da estatal, avançaram 3,52%, a US$ 14,98, enquanto os PBR.A, dos papéis preferenciais, subiram 3,54%, a US$ 16,09. Com a Bovespa fechada hoje por conta do feriado em São Paulo, deve-se esperar que amanhã os ativos acompanhem essa tendência nos primeiros minutos de negociação da Bolsa brasileira. 

Também subiram forte os ADRs da Gol (GOLL4), que dispararam 6,68%, a US$ 5,59, seguidos pelos bancos Itaú Unibanco (ITUB4), +2,89%, a US$ 14,58, e Bradesco (BBDC4), +1,32%, a US$ 14,60. No setor elétrico, chamou atenção também os ADRs da Eletrobras (ELET3; ELET6). Os recibos EBR, que representam as ações ordinárias da companhia, subiram 2,08%, a US$ 2,95.

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Por outro lado, somente cinco dos 20 ativos do Brazil Titans encerrou em queda, sendo que somente os da Oi (OIBR4) caíram mais de 1%. Os ADRs OIBR.C da operadora brasileira, que representam as ações preferenciais da empresa, caíram 5,36%, a US$ 0,75, ainda impactados pelos problemas com a Portugal Telecom. Hoje, as ações da portuguesa também caíram forte e encerraram o pregão com desvalorização superior a 5% na Bolsa de Lisboa. 

Por que os ADRs subiram hoje?
A reação do mercado foi de que após a derrota o mercado volte a acordar aos problemas econômicos e a passageira euforia gerada durante a Copa do Mundo com o governo de Dilma Rousseff mingue. Em nota de hoje, o Nomura comentava: “a melhora da aprovação do governo Dilma nas últimas pesquisas, impulsionada pela performance da seleção em campo deve ser revertida”. Enquanto tudo corria bem em campo brasileiro, Dilma mostrou uma arrancada nas intenções de voto, de 34% para 38%, segundo última pesquisa Datafolha. 

Além do gatilho de uma possível piora na popularidade do governo com o desempenho da Seleção, as ações das elétricas repercutiram ainda uma notícia muito aguardada divulgada hoje. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou adiar para 31 de julho o prazo para pagamento pelas distribuidoras de energia de R$ 1,322 bilhão, devido por elas referentes à operação de curto prazo de maio. O valor refere-se à dívida não coberta pela tarifa de energia. A liquidação deveria acontecer originalmente nos dias 10 e 11 de julho.

Referências externas
Lá fora, o grande destaque foi a divulgação da ata do Fomc (Federal Open Market Committee) nesta tarde. Segundo o documento, o Federal Reserve pode terminar seu programa de compra de títulos após a reunião de outubro, caso certas condições econômicas sigam positivas.

De acordo com a ata, o Fed vai realizar mais dois cortes de US$ 10 bilhões e um último de US$ 15 bilhões em sua reunião de outubro. Os próximos encontros estão marcados para os dias 31 e 1 de agosto; 12 e 13 de setembro; e 23 e 24 de outubro.