Política

Abraham Weintraub anuncia saída do Ministério da Educação

Anúncio foi feito por vídeo e ocorre em meio a desgaste acumulado com o STF, após Weintraub defender a prisão de membros da corte

Abraham Weintraub, ministro da Educação
O minsitro da Educação, Abraham Weintraub (Andressa Anholete/Getty Images)

SÃO PAULO – Após 14 meses no cargo e em meio a desgastes acumulados dentro e principalmente fora do governo, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, comunicou, nesta quinta-feira (18), que deixará a pasta. Ele é o segundo ministro a cair do MEC e o sétimo a deixar o governo em menos de dois anos.

O anúncio foi feito por vídeo divulgado nas redes sociais e ocorre em meio a um desgaste acumulado com o Supremo Tribunal Federal (STF), depois da revelação do conteúdo da reunião ministerial realizada em 22 de abril, no Palácio do Planalto. No encontro, Weintraub chamou os magistrados de “vagabundos” e defendeu a prisão deles.

“A gente tá perdendo a luta pela liberdade. É isso que o povo tá gritando. Não tá gritando pra ter mais Estado, pra ter mais projetos, pra ter mais… o povo tá gritando por liberdade, ponto. Eu acho que é isso que a gente tá perdendo, tá perdendo mesmo. O povo tá querendo ver o que me trouxe até aqui. Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”, disse na ocasião.

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No vídeo em que comunica sua saída do MEC ao lado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Weintraub diz que, após um período de transição na pasta, passará a atuar como diretor do Banco Mundial, a convite do presidente. Ele agradece os apoiadores e o mandatário e afirma seguir apoiando o governo.

“É um momento difícil, todos os meus compromissos de campanha continuam de pé. Busco implementá-lo da melhor forma possível. A confiança você não compra, você adquire. Todos que estão nos ouvindo agora são maiores de idade, sabem o que o Brasil está passando. E o momento é de confiança. Jamais deixaremos de lutar por liberdade. Eu faço o que o povo quiser”, afirma Bolsonaro no vídeo.

Membro da chamada “ala ideológica” do governo, ligada ao astrólogo Olavo de Carvalho, Weintraub assumiu o MEC após a saída de Ricardo Vélez Rodríguez e acumulou uma série de polêmicas e desafetos.

Sua situação na pasta tornou-se insustentável após a revelação da gravação de reunião ministerial – citada pelo ex-ministro Sérgio Moro como prova no inquérito que apura suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal.

Além de insultos a membros do STF na reunião gravada, a participação do ministro em manifestações em Brasília no último fim de semana agravou a situação.

O ministro é alvo do inquérito das fake news, que tramita no Supremo sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, e também de uma investigação no tribunal por racismo após uma publicação sobre a China. No primeiro caso, ele teve negado, ontem (17), por ampla maioria, pedido de habeas corpus para ser excluído das investigações.

No Legislativo, o quadro também era de fragilidade para o ministro. Na semana passada, o presidente do Congresso Nacional, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), decidiu devolver de ofício uma medida provisória que dava poderes ao ministro da Educação para nomear reitores de universidades federais temporariamente durante a pandemia. Após a derrota, Bolsonaro revogou a proposição.