Revela FT

1º bilionário do etanol se revolta contra governo Dilma e vê desastre em controlar preços

Ometto afirma que o controle de preços do governo está destruindo a valorizada indústria do etanol no Brasil e foi fatal para Petrobras

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SÃO PAULO – A dificuldade que vem enfrentando os produtores de açúcar e etanol no Brasil fizeram uma comunidade bastante reservada fazer críticas contundentes ao governo Dilma Rousseff e que ganhou as páginas do noticiário internacional.

O Financial Times destacou no último fim de semana que Rubens Ometto, “magnata” da cana-de-açúcar e presidente executivo da Cosan (CSAN3), descreveu o controle de preços de gasolina do governo como um “desastre”, aumentando a pressão sobre o governo Dilma Rousseff. Ometto afirmou ainda a empresários, em cerimônia de premiação do Homem do Ano, da Câmara Brasil-EUA, em Nova York, que o governo precisa “sair das costas dos empresários”.

Ometto afirma que o controle de preços do governo, que também afeta a Petrobras (PETR3;PETR4), está destruindo a valorizada indústria do etanol no Brasil. A Petrobras importa gasolina a preços internacionais e revende no mercado interno com um desconto para ajudar a controlar a inflação. Ou seja, os produtores de etanol tem que competir com a gasolina subsidiada.

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“Se esta política tem sido ruim para nós [os produtores de etanol], foi fatal para a Petrobras”, disse Ometto, classificando a política como mal planejada. “Isto [a política de preços da gasolina] é um desastre, porque os empresários não podem planejar”, afirmou o empresário ao FT. “Uma coisa é se planejar um negócio e você cometer um erro em suas projeções e diagnósticos; outra coisa é ser penalizado porque as regras mudam no meio do jogo”.

“O etanol é o príncipe que virou sapo, e esse feitiço só poderá ser quebrado se tivermos uma liderança política que não busque ‘bodes expiatórios’, pense fora da caixa, aceite correr riscos e aposte na nossa criatividade, inovação e vantagens competitivas”, ressaltou. 

Além desse tema, Ometto criticou os complicados sistemas tributário e trabalhista no País. Se o governo não pode ajudar, ele poderia “pelo menos não ficar no caminho”, disse Ometto.