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Petrobras: produção menor e "itens especiais" devem enfraquecer resultado do 1º trimestre

Analistas projetam queda de cerca de 20% no lucro líquido da estatal, mas os próximos meses do ano se mostram promissores

Petrobras
(Shutterstock)

SÃO PAULO - A temporada de resultados do primeiro trimestre ganha força nesta terça-feira (7) e após o fechamento da bolsa é a vez da Petrobras (PETR3; PETR4) apresentar seus números, com a expectativa de um balanço mais fraco, com queda considerável no lucro da companhia em comparação com o mesmo período de 2018.

Segundo a média de seis análises compiladas pela Bloomberg, a estatal deve fechar o período entre janeiro e março com um lucro líquido ajustado de R$ 5,309 bilhões, um recuo de 20,8% ante os R$ 6,961 bilhões de um ano atrás.

Este resultado deve ser reflexo de uma queda na produção da estatal, impactada por paradas programadas de suas plataformas, além do recuo do preço do petróleo no início deste ano. Os analistas projetam ainda um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 27,481 bilhões nos três primeiros meses do ano.

Além disso, o analista Regis Cardoso, do Credit Suisse, destaca que poucos "itens especiais" devem afetar o balanço da petrolífera, mas que será preciso ficar de olho em dois deles. O primeiro é a provisão de R$ 1,3 bilhão relativa aos litígios envolvendo a empresa de sondas Sete Brasil.

O segundo impacto se dará pela mudança de norma contábil para IFRS 16. Cardoso prevê uma aumento de US$ 28 bilhões do saldo da dívida financeira e do ativo imobilizado da Petrobras. Com isso, haverá uma reclassificação do fluxo de caixa, com US$ 7,2 bilhões que estavam em fluxo de caixa das operações indo para fluxo de caixa de financiamento.

Sobre o impacto da queda de produção, o JPMorgan aponta que as três plataformas da estatal que começaram a funcionar este ano não foram capazes de compensar as paradas das outras unidades. Mesmo assim, a visão para 2019 é positiva.

Na área de refino, o JP espera um resultado ainda fraco, pressionado pelo menor volume de vendas e pelas margens ainda afetadas pela realização de custos altos de estoques, mesmo que em ritmo menor que o do quarto trimestre de 2018. Já o Itaú BBA estima que a participação de mercado da Petrobras deve crescer em diesel, como reflexo da tendência de queda das importações.

Por fim, o mercado deve ficar de olho nos primeiros impactos das recentes medidas da Petrobras para reduzir suas despesas. Recentemente a companhia anunciou um plano de vender oito refinarias e mais uma fatia na BR Distribuidora, arrecadando US$ 20 bilhões em um ano e meio. Em meio a estas medidas, o BBA projeta que o endividamento da estatal caia 26% entre 2018 e 2021, para R$ 219,8 milhões.

Para o Credit Suisse, apesar de itens especiais e alguma turbulência neste balanço, os resultados da Petrobras devem seguir uma tendência de alta, com uma produção crescente e melhora nos preços do petróleo, sendo esta a "última chamada para voos mais altos" da estatal.

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