Em petrobras

Reajuste suspenso da Petrobras faz Bolsonaro remeter à Dilma e assusta mercado; ações caem até 8,5%

Sinais de intervenção do governo na política de preços da Petrobras azedam papéis da estatal nesta sexta-feira

Plataforma Petrobras
(Divulgação Petrobras)

SÃO PAULO - A Petrobras (PETR3;PETR4) teve uma sessão azeda nesta sexta-feira (12) na B3. As ações da companhia registraram queda de cerca de 8%: na mínima do dia, os papéis preferenciais da Petrobras chegaram a cair 8,68%, enquanto as ações ON caíram até 8,89%. 

Desde o início da manhã, os ADRs (American Depositary Receipts) da estatal já caíam forte no pré-market da NYSE (New York Stock Exchange), com o mercado repercutindo de forma bastante negativa o recuo da companhia em reajustar o preço do diesel, aumentando os temores sobre a intervenção política no governo. 

Na tarde de ontem, a companhia anunciou um aumento de 5,74% no preço do diesel, para R$ 2,2662, com base na nova política de reajustes. Em março de 2019, a Petrobras informou que os preços do diesel nas refinarias da companhia, que correspondem a cerca de 54% dos preços ao consumidor final, serão reajustados por períodos não inferiores a 15 dias. O primeiro reajuste aconteceu na última quinta. 

Porém, de acordo com o jornal O Globo, ao ser informado do reajuste, Bolsonaro teria pedido que a estatal segurasse o aumento. Um reajuste neste momento, na avaliação do governo, poderia ter um grande impacto na economia.

A medida é adotada após notícias de pressões de caminhoneiros e na sequência de dado do IPCA de março acima do esperado com pressões dos combustíveis e de alimentos, item que também sofreu forte alta no ano passado quando a greve dos caminhoneiros afetou a cadeia de distribuição em diversas cidades do país. Assim, a notícia contribui enormemente para o receio generalizado que se vê em Brasília toda vez que circulam notícias de outra greve dos caminhoneiros. 

Em relatório chamado "Repetindo a história?", o Morgan Stanley destaca que os riscos de uma intervenção do governo na política de preços parecia ter sido superada com uma administração liberal e uma equipe econômica pró-mercado. Contudo, essa notícia pode mudar rapidamente o sentimento do mercado.

Vale ressaltar que, num passado não muito distante, mais precisamente durante o segundo governo Dilma Rousseff, as ações da Petrobras eram negociadas com um grande desconto com relação aos seus pares devido à intervenção governamental, que gerou perdas materiais no segmento de refino.

"[O recuo no reajuste] Aumenta a desconfiança em relação à adesão de Bolsonaro à agenda econômica de fato liberal. Há um receio de movimento dos caminhoneiros, mas, levando em conta o que aconteceu no governo Dilma, o mercado vai ficar mais uma vez ressabiado com Bolsonaro", destaca o analista político da MCM Consultores, Ricardo Ribeiro. 

Os analistas do Morgan, Bruno Montanari e Guilherme Levy, destacam que a recomendação para a Petrobras segue overweight (exposição acima da média do mercado), com preço-alvo de US$ 19 para o ADR da companhia, em meio ao processo de desalavancagem e crescimento na produção de petróleo entre 2019 e 2023.

"No entanto, um risco-chave para nossa tese seria uma mudança na independência administrativa para estabelecer preços. O aumento da intervenção pode nos levar a ser mais cautelosos com a ação à frente", avaliam. 

Assim, tal fato já gera desconfortos e faz com que as ações da empresa despenquem. "Ninguém quer ter ingerência política de volta", ressalta a Levante Ideias de Investimentos. 

Em entrevista à rádio CBN, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, buscou acalmar o mercado, afirmando que a determinação do presidente Jair Bolsonaro para a Petrobras recuar do reajuste no diesel foi um caso "isolado".

Mourão disse crer em bom senso e que não se repetirá a política de preços adotada do governo Dilma. Contudo, o mercado seguiu apreensivo e durante a tarde, Bolsonaro se pronunciou sobre a suspensão do reajuste do diesel dizendo que não vai ser intervencionista e nem vai praticar as políticas que fizeram no passado.

Contudo, Bolsonaro disse que se surpreendeu com o reajuste de 5,74% e ligou para o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e convocou todos da empresa para esclarecer o reajuste. 

Ele afirmou que a Petrobras terá que convencê-lo do reajuste se a inflação projetada é inferior a 5%. "Se me convencerem (Petrobras), tudo bem; se não, daremos resposta adequada a vocês". 

O presidente ainda afirmou ter convocado funcionários da petroleira para conversar na próxima terça-feira de forma a esclarecer a política de preços adotadas.

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