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Petrobras vai propor novo plano de cargos e salários na segunda-feira

"A gestão das pessoas não pode ficar aprisionada a regras burocráticas ultrapassadas", afirma o diretor de Assuntos Corporativos da estatal

Plataforma da Petrobras
(Shutterstock)

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou esta semana alterações no plano de cargos e salários da empresa, que começará a ser apresentado a todos os funcionários na próxima semana.

A mudança foi informada aos empregados em carta assinada pelo diretor de Assuntos Corporativos da estatal, Eberaldo de Almeida Neto, a qual o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, teve acesso.

De acordo com o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Simão Zanardi, o plano não foi debatido com a categoria e tem por objetivo generalizar os cargos para facilitar a realocação de pessoas em consequência da venda ou fechamento de unidades da companhia.

Zanardi critica o novo Plano de Carreiras e Remuneração (PCR) por dividir os empregados da Petrobras apenas em dois grupos: os de curso superior e os de nível técnico.

"Dessa maneira ela pode transferir mais facilmente os empregados de uma unidade para outra, um mecânico, por exemplo, poderá ser transferido para onde estiverem precisando de um operador, por exemplo, o plano acaba com a especialidade", disse.

Já a Petrobras alega no comunicado que o objetivo do plano é tornar a empresa "mais eficiente, ágil e produtiva", com formas de trabalho que permitam o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. "Precisamos das pessoas certas nos lugares certos e na quantidade certa", diz o diretor na carta.

No documento, a estatal destaca que a mudança confere uma maior transparência ao modelo de carreira, ao possibilitar que o empregado consiga planejar e desenvolver melhor sua vida profissional. "A gestão das pessoas não pode ficar aprisionada a regras burocráticas ultrapassadas", afirma o diretor na carta, prometendo recompensar os empregados "com base em resultados e também em comportamentos e atitudes", diz.

O coordenador da Fup conta que teve acesso ao plano há 10 dias, quando seu pedido de um tempo para dar sugestões não foi atendido. Segundo ele, a Petrobras está se aproveitando da reforma trabalhista para fazer um plano unilateral. "Ela (companhia) está se aproveitando dessa brecha de planos unilaterais, mas no nosso entendimento não é legítimo porque a reforma (trabalhista) não pega contratos antes de 2017", disse.

Segundo ele, a adesão será voluntária, mas para garantir seus objetivos a empresa estaria oferecendo pagamentos adicionais. "É a cenoura no anzol, vai pescar quem não estiver atento", avaliou o sindicalista. Com a mudança, Zanardi acredita que a estatal deu para a categoria o motivo que faltava para fazer uma greve geral por tempo indeterminado. "O TST (Tribunal Superior do Trabalho) disse que nossa greve não tinha assunto corporativo que a motivasse, agora tem", afirmou, ainda sem data para a categoria paralisar suas atividades.

Ele explicou que antes é necessário que a empresa divulgue o plano, o que vai acontecer na próxima segunda-feira. Procurada pela reportagem, a Petrobras ainda não se manifestou.

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