Em petrobras

Petrobras: se a ação desabou após um bom resultado, temos uma oportunidade de compra?

Prejuízo pelo 4º ano consecutivo deixou feia a fotografia do balanço de 2017 da estatal; contudo, bons números operacionais e a "surpresa" dos dividendos colocaram uma interrogação enorme na cabeça de alguns investidores que queriam saber por que a ação caiu tanto - enquanto outros aproveitaram essa queda para ir às compras

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(Divulgação/Petrobras)

SÃO PAULO - Quebrando o rito de divulgar o balanço após o fechamento do mercado, a Petrobras (PETR4) "inovou" nesta quinta-feira (15) ao soltar os números de 2017 por volta das 8h45 (horário de Brasília), pouco mais de uma hora antes da abertura da Bovespa. "Ihh, não deve vir coisa boa...", disseram alguns pessimistas. O resultado saiu, a empresa fechou pelo 4º ano seguido com prejuízo e as ações preferenciais caíram 4,8% na bolsa brasileira, fechando na mínima do dia (R$ 21,31) e com um volume muito acima da média.

Qualquer um diria que o resultado da Petrobras foi terrível, mesmo sem analisar nenhum indicador do balanço. Mas não foi. E por isso que enquanto alguns investidores passaram o dia tentando encontrar em relatórios, frases da teleconferência ou "números mágicos" no demonstrativo para explicar o motivo desta forte queda, alguns outros profissionais aproveitaram a maior queda de PETR4 desde 14 de novembro de 2017 para comprar mais ações. 

"Compramos mais [Petrobras] hoje", disse ao InfoMoney após o fechamento do pregão um gestor de fundos que pediu para não ser identificado. Mais cedo, este gestor já havia dito que, a despeito da fotografia feia vista na última linha da DRE da Petrobras, os números operacionais foram muito fortes. A saber: a estatal teve uma receita líquida 8,5% maior entre o 4º trimestre de 2016 e o de 2017, chegando a para R$ 76,5 bilhões, ao mesmo tempo em que reduziu de US$ 13,3 bilhões para US$ 12,4 bilhões os gastos operacionais com a exploração e produção de petróleo. O preço mais alto do petróleo colaborou para esse bom momento das operações.

No entanto, o prejuízo líquido trimestral ficou em R$ 5,48 bilhões, revertendo o lucro líquido de R$ 2,51 bilhões visto nos últimos três meses de 2016. A Petrobras explicou que esse número negativo reflete os já esperados Refis e "class action", que foram os acordos de ação coletiva nos EUA, e se excluísse esses eventos que não vão se repetir nos próximos balanços (assim esperamos), o resultado acumulado do ano teria sido um belo lucro líquido de R$ 7,089 bilhões, ao invés do prejuízo dos R$ 446 milhões relatados. 

Esses itens também distorceram o Ebitda (geração operacional de caixa ou a sigla em inglês para Lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização): com a adesão ao programa de regularização de débitos federais para finalizar discussões administrativas e judiciais relativas ao IRRF, houve um aumento das despesas operacionais, fazendo o Ebitda cair 32% na passagem anual, fechando o 4º tri em R$ 12,99 bilhões (a metade do que apontava a média das projeções da Bloomberg). No acumulado de 2017, o Ebitda foi de apenas R$ 22,8 bilhões, mas a Petrobras disse que esse número teria sido de R$ 87,78 bilhões se não fossem os "itens não-recorrentes".

Dividendos surpresa: quem não gosta?
Se para um investidor mais desconfiado essas explicações não convenceram, a Petrobras trouxe uma carta na manga para dizer que nem tudo foi ruim: o anúncio de estudos para mudar a política de dividendos, alterando para trimestrais. A proposta foi apresentada pelo conselho e será decidida pelos acionistas. 

"Não esperávamos um pagamento de dividendos em 2018, por isso vemos vemos esta proposta como positiva", escreveram os analistas do Bradesco BBI em relatório. Já o time do Bank of America Merrill Lynch exaltou em nota enviada aos seus clientes mais uma sinalização positiva da estatal em termos de governança corporativa - algo que sequer imaginaríamos elogiar em gestões passadas. Há inclusive uma grande chance de pagamento de dividendo já no primeiro trimestre, segundo fala do próprio CEO da Petrobras, Pedro Parente, durante apresentação do resultado.

Ok, mas a ação caiu... Por quê?
Mesmo diante de tudo isso, as ações preferenciais caíram 4,78%, enquanto as ordinárias tiveram uma queda mais sutil (PETR3). Conversamos com muitos gestores e analistas para entender o motivo e a verdade é que há uma série de hipóteses que, se individulamente elas não ajudariam a explicar um tombo tão grande, juntas elas ajudam a esclarecer esse movimento. E esse "combo" seria formado por:

  • 1.Ausência de surpresas positivas no resultado;
  • 2. Ação já estava "esticada" na bolsa (PETR4 vinha operando entre R$ 22 e R$ 23 desde o final de fevereiro), valor 50% maior que o visto na metade de dezembro e 90% superior aos preços de julho/17;
  • 3. Dia de queda generalizada no Brasil, sinalizando mais um dia de saída de investidor estrangeiro (o que afeta principalmente as blue chips)

"É tudo meio vago, mas ajuda a explicar o que não teve explicação", disse um gestor. "Eu realmente não sei, mas achei a queda bem exagerada" disse outro administrador de recursos. Um analista chegou a citar a ausência de novidades sobre os acordos envolvendo a cessão onerosa na teleconferência de resultados, mas boa parte do mercado já sinalizava que isso não deveria acontecer mesmo.

Mas será que Petrobras caiu mesmo?
Um outro gestor, que também pediu anonimato, apontou dois pontos bem interessantes sobre esse movimento de Petrobras na bolsa. O primeiro é que, na sua visão, o mercado estava posicionado em PETR4 contra PETR3, mas como a estatal não divulgou lucro, ela não será obrigada a pagar dividendos. "Isso frustrou o mercado, que desmontou essa operação", disse o gestor, explicando dessa forma porque PETR3 caiu bem menos que PETR4.

O segundo ponto está na visão sobre se a Petrobras realmente caiu no mercado: olhando para a bolsa norte-americana, o ADR (American Depositary Receipt) que representa as ações ON da Petrobras, o "PBR", caiu 2,8%, enquanto o EWZ (índice que acompanha ADRs brasileiros nos EUA) teve queda de 2,0%. "Ou seja, um dia normal para um dia de queda, uma vez que o resultado não surpreendeu e o mercado estava com expectativa alta", conclui.

No curto prazo, o fluxo manda muito mais que o fundamento ao definir o preço de uma ação. O tempo dirá se essa queda foi o início de um ciclo negativo ou uma oportunidade de compra para quem ainda acredita nos fundamentos da empresa.

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