Em petrobras

Quem manda sou eu: decisão sobre prêmio nos combustíveis está só com a Petrobras - e o mercado adorou isso

Nova política de preço deu maior independência para a estatal; estudo mostra como será o comportamento da gasolina e diesel

Etanol

SÃO PAULO - Mais volatilidade nos preços do curto prazo, menos volatilidade nos prêmios de “longo prazo”: a nova política de preços que será adotada pela Petrobras (PETR3; PETR4), que permitirá reajustes diários tanto na gasolina quanto no diesel, soou como música aos ouvidos dos analistas do Credit Suisse, já que dará maior autonomia à estatal para ser mais ágil e eficiente às oscilações da taxa de câmbio e do petróleo no mercado internacional - as duas variáveis que afetam diretamente nos preços adotados por ela.

Para provar o efeito benéfico dessa nova política na empresa, os analistas André Natal e Regis Cardoso, que assinam o relatório de 12 páginas do Credit Suisse, realizaram um backtest (processo de testes para avaliar uma estratégia utilizando dados históricos) com a gasolina e o diesel a fim de demonstrar como o preço atual do combustível e a paridade de importação se comportariam na nova política proposta sexta-feira passada (30).

Ao observar o resultado, é possível perceber que a nova politica deve reduzir a volatilidade do prêmio dos combustíveis, permitindo uma aderência maior no preço doméstico em relação ao preço internacional, justamente o objetivo da estatal. Agora, a decisão de ter (ou não) prêmio está nas mãos da Petrobras, que, pelo menos nesse assunto, não dependerá de variáveis exógenas e adicionará maior autonomia à estratégia de preços da empresa, concluem os analistas do banco.

Esse efeito fica mais claro comparando estes dois gráficos elaborados pelo Credit Suisse: no primeiro, temos a política atual de preço da gasolina e a paridade de prêmios sobre importações; no segundo, mostra o backtest feito pelos analistas do banco com base na volatilidade diária da gasolina. Percebe-se que na política atual a volatilidade do prêmio (destacada na linha laranja) é muito alta, enquanto que a nova política de preço revela menor volatilidade. Esse comportamento é semelhante ao observado no diesel.

Comportamento do prêmio da gasolina
Figura 1) Política atual de preço da gasolina e paridade de prêmios sobre importações

*Fonte: Credit Suisse
Figura 2) Backtest do preço da gasolina e paridade de prêmios sobre importações (volatilidade diária)

*Fonte: Credit Suisse

Nova política de preços
Conforme foi anunciado via fato relevante na sexta-feira (30), a Petrobras mudou a política de reajuste para diário, anúncio feito 9 meses após ela já ter adotado uma nova política de reajustes, de periodicidade mensal. Segundo a estatal, "a revisão da política aprovada permitirá maior aderência dos preços do mercado doméstico ao mercado internacional no curto prazo e possibilitará a companhia competir de maneira mais ágil e eficiente".

Na própria sexta-feira, a notícia já foi comemorada pelo mercado. O UBS disse que isso marca um “dia da independência” da estatal, já que mais do que nunca seus resultados serão altamente correlacionados ao preço internacional do petróleo - algo dificilmente imaginado nas gestões pré-Pedro Parente, onde as cotações do barril lá fora pouco interferiam na política de preços da companhia. Já o Itaú BBA chamou atenção para a persistência dos elevados níveis de importação: "o fato de que a Petrobras está dando mais autonomia a seu time, o que irá acelerar a capacidade da empresa para responder às mudanças do mercado, deve sinalizar bem a estratégia de recuperação de participação de mercado", observaram.

Vale mencionar que a Petrobras anunciou naquela sexta-feira, após o fechamento do pregão, uma redução de 5,9% na gasolina e 4,8% no diesel. Porém, na noite da última segunda-feira (3), a estatal elevou o preço médio nas refinarias em 1,8% para a gasolina e em 2,7% para o diesel, a primeira medida da nova política de preço. Para o time de análise do BTG Pactual, apesar de ser uma notícia que será recorrente, ela é considerada positiva para Petrobras, já que as mudanças serão baseadas exclusivamente em fundamentos e razões técnicas: "a  melhor combinação que poderíamos ter".

 

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