Em petrobras

O que muda na Petrobras com o reajuste diário nos preços dos combustíveis?

Decisão comunicada pela companhia nesta manhã foi muito comemorada no mercado, com os investidores apostando em maior autonomia da gestão da estatal em relação aos controladores

Pedro Parente
( Antonio Cruz/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - A decisão da diretoria executiva da Petrobras (PETR3; PETR4) por promover reajustes diários nos preços da gasolina e diesel teve recepção positiva no mercado, que constatou riscos menores de a companhia voltar a registrar períodos de prejuízo como visto durante parte do último governo, com a política de preços administrados, e novas sinalizações favoráveis às políticas de reestruturação implementadas.

Nesta sexta-feira (30), as ações da companhia fecharam em alta, movimento também impulsionado pelo novo dia positivo para os barris de petróleo no mercado internacional. As ações PETR3 subiram 1,46%, a R$ 13,20, ao passo que os papéis PETR4 saltaram 1,56%, a R$ 12,37.

Conforme a própria estatal informou em fato relevante, "a revisão da política aprovada permitirá maior aderência dos preços do mercado doméstico ao mercado internacional no curto prazo e possibilitará a companhia competir de maneira mais ágil e eficiente". Não haverá alteração nos princípios de que as tarifas levarão em consideração o preço de paridade internacional, as margens para remuneração dos riscos inerentes à operação e o nível de participação no mercado.

"A área técnica de marketing e comercialização da companhia terá delegação para realizar ajustes nos preços, a qualquer momento, inclusive diariamente, desde que os reajustes acumulados por produto estejam, na média Brasil, dentro de uma faixa determinada (-7% a +7%), respeitando a margem estabelecida pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços", dizia o comunicado da Petrobras..

Para os analistas do UBS, o momento marcou um "Independence Day" para a companhia estatal, mas mais do que isso, "permitirá a ela ir adiante em seu plano de desinvestimentos em refinarias". "Vemos esse anúncio como uma jogada inteligente da gestão, mostrando independência da participação do controlador. Acima de tudo, vemos que a gestão tem sido capaz de implementar, em um passo de cada vez, o tipo de políticas que os investidores querem ver em uma empresa racional. Agora, mais do que nunca, os resultados da Petrobras serão correlacionados aos preços do petróleo", escreveram em relatório a clientes.

No entanto, eles dizem que ainda há dúvidas sobre a metodologia utilizada e como as margens de estabilidade se comportariam a depender do desempenho do petróleo nas bolsas mundiais. Ainda assim, os especialistas do banco suíço acreditam que a decisão anunciada nesta manhã representa um passo importante no sentido dos desinvestimentos em refino e na redução da interferência do governo na companhia.

Visão otimista também foi vista no comentário da equipe de análise do Itaú BBA, que chamou atenção para a persistência dos elevados níveis de importação. "O fato de que a Petrobras está dando mais autonomia a seu time, o que irá acelerar a capacidade da empresa para responder às mudanças do mercado, deve sinalizar bem a estratégia de recuperação de participação de mercado", observaram.

As expectativas do mercado estão alinhadas com as avaliações da gestão da empresa. Na coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira, o diretor financeiro, Ivan Monteiro, disse que a companhia vai recuperar market share com as medidas. Até o momento, parece que o mercado "comprou" a ideia.

 

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