Em petrobras

UBS vê Petrobras como "renascer de uma fênix" com potencial de disparar 65%

Recomendação deve-se à: previsão de preços de petróleo mais altos; melhorias no marco regulatório local; nova gestão; banco destaca 15 questões sobre a companhia

Petrobras - Bloomberg

SÃO PAULO - A Petrobras (PETR3;PETR4) recebeu recomendação de compra pelo UBS, sendo comparada à fênix que renasce das cinzas, segundo relatório de hoje assinado por Luiz Carvalho, Julia Ozenda e Sean Glickenhaus. A recomendação deve-se à: previsão de preços de petróleo mais altos, melhorias no marco regulatório local e nova gestão da companhia. O preço-alvo é de R$ 17,80 para as ações ON e de R$ 18,20 para os papéis PN, o que configura um potencial de valorização respectivos de 34,64% e 65,15% em relação ao fechamento da última sexta-feira (15). 

"Acreditamos que o preço de petróleo vai chegar a US$ 75 o barril em 2019, mudanças regulatórias permitirão à Petrobras liberar valores de seus ativos e melhorar a percepção de risco dos investidores e gestão vai colocar a empresa de volta nos trilhos”, afirmam os analistas. "No curto prazo, vemos criação do valor patrimonial". 

Os preços do petróleo provavelmente permanecerão como o principal motor de lucros da Petrobras e o câmbio ainda desempenha um papel importante na alavancagem e geração de caixa, de modo que é provável que a volatilidade continue, segundo o UBS. "Ao mesmo tempo, acreditamos que a Petrobras vai reduzir o seu papel na indústria local, o que é fundamental para iniciar o caminho para a melhoria. Nós vemos os seguintes pontos na avaliação da empresa: 1) interferência política menor no processo de tomada de decisões da empresa; 2) a paridade do preço do combustível; e 3) um agressivo plano de venda de ativos que pode desbloquear valor", avaliam os analistas.

Porém, apesar da visão positiva sobre Petrobras, a equipe de análise destacou que há muitos desafios no radar. Os principais são: o reequilíbrio da alavancagem, os obstáculos para fazer desinvestimento, o baixo crescimento da produção nos próximos anos, os processos que a companhia enfrenta nos EUA, os riscos de diluição dos ativos e contingências. "Nós acreditamos que a maior parte dos índices está precificado. Nós seguimos cautelosos sobre o passo da mudança na companhia e na indústria local, mas nós acreditamos que deve ser algo de longo prazo e uma mudança que pode ser transformacional. Apesar dos desafios, vemos um potenciual de 67% de alta para a Petrobras, com um atrativo risco-retorno", afirma o banco.

15 questões sobre a Petrobras
1. Mudanças regulatórias. Os analistas também destacam 15 questões sobre a companhia. Em primeiro lugar, eles destacam o potencial de criação de valor para a Petrobras com as mudanças regulatórias indústria local , pelo qual a Petrobras irá reduzir a sua participação em diversos segmentos e se concentrar em seus negócios principais. Isso permitirá que a Petrobras desbloqueie o valor de seus ativos. 

2. Produção. Em segundo lugar, a produção da empresa está consistentemente convergindo para a previsão do UBS, em um cenário em que a estatal tem grandes promessas sobre a sua produção ao longo dos anos. Agora, "a questão é a rentabilidade ao invés de crescimento de volume a qualquer custo. A produção do pré-sal tem sido uma surpresa positiva, mas a taxa de declínio em "campos maduros está compensando parcialmente esse crescimento", afirmam os analistas.

3. Corte do capex. O terceiro ponto é a diminuição do capex da empresa, conforme o presidente da estatal, que ressaltou que o primeiro passo para diminuir a dívida da empresa é reduzir despesas e investimentos. "Acreditamos que o capex vai cair, a curto prazo, próximo do seu nível de manutenção. Tememos que isso poderia afetar a manutenção da produção", afirmam os analistas. 

4. Preços dos combustíveis. A quarta questão trata sobre os preços dos combustíveis: a política de preços de combustível seguida em 2010-2014 levou US $ 35 bilhões no valor da empresa. Desde 2015, a empresa recuperou US$ 13 bilhões, ajudada por preços mais baixos do petróleo. "Esperamos uma política clara, apoiada pelo discurso da gestão e menor interferência do governo, para aumentar a visibilidade", destacam. 

5. Aumento de capital. O UBS vê chances reduzidas de aumento de capital da companhia entre os próximos 18 a 24 meses. Porém, a avaliação do banco é de que a estatal precisa de US$ 50 bilhões para balancear sua estrutura de capital. 

6. Governança corporativa. A Petrobras mudou seu CEO quatro vezes ao longo dos últimos cinco anos e substituiu quase todos os seus membros do Conselho de Administração. "A governança corporativa melhorou, mas nós pensamos que ainda mais precisa ser feito para melhorar a percepção dos investidores. Esperamos um novo plano estratégico a ser anunciado nos próximos 90 dias, trazendo uma abordagem racional para o capex, crescimento e alavancagem", destacam.

7. Preços de petróleo. A Petrobras tem reservadas de óleo, condensado e gás natural provadas de 13 bilhões de barris de óleo equivalente, representando 14 anos de produção da companhia e ainda produz cerca de 2,2 milhões de barris de óleo equivalente com perspectiva de crescimento. "Isto torna a companhia altamente alavancada em relação aos preços do petróleo, enquanto a política de preços de combustível mantém, pelo menos, a paridade internacional de importação de combustíveis".

8. Taxa de câmbio: a Petrobras tem US$ 118 bilhões em dívida, dos quais 70% é atrelado ao dólar. "Uma depreciação do real teria impacto negativo sobre o perfil da dívida da emnpresa e também poderia afetar a geração de caixa da estatal", afirma o UBS.

9. Desalavancagem: a Petrobras viu sua alavancagem disparar depois que a empresa alcançou o status de grau de investimento em 2007, que por sinal foi perdido no ano passado. "Nós pensamos que agora é a hora de inverter essa tendência e fazê-lo de forma rápida, devido ao aumento do custo da dívida".

10. Liquidez e China: desde que Ivan Monteiro se tornou CFO 18 meses atrás, ele esteve na China seis vezes, o que mostra que os bancos do gigante asiático se tornaram importantes parceiros financeiros da Petrobras, aumentando a liquidez da companhia.

11. Class-action: o próximo dia 19 de setembro é o prazo limite para a ação coletiva dos Estados Unidos contra a Petrobras, que está sendo processada por detentores norte-americanos de papéis da empresa; os riscos ainda são desconhecidos.

12. Passivos: a Petrobras tem US$ 47 bilhões em passivos off-balance, 69% dos quais são de disputas fiscais. "Temos muito pouca visibilidade sobre o momento e o potencial impacto desses casos. No entanto, eles representam um risco claro para resultados e para a alavancagem da companhia."

13. Transferência de Direitos: uma ajuda ou um fardo? A Petrobras tem que chegar a um acordo com o governo relacionada à transferência de direitos em 2010, juntamente com o último aumento de capital. Dependendo das premissas usadas, a empresa poderia ou receber algum dinheiro ou retornar alguns barris para o governo.

14. Venda de ativos - não há almoço grátis: a gestão destacou o plano de venda de ativos da empresa, o que seria uma maneira de levantar dinheiro a um custo baixo. "Acreditamos que a venda de ativos poderia melhorar a liquidez da empresa, mas não necessariamente irá desalavancar balanço".

15. Janela de oportunidade: nos últimos anos, alguns investidores têm considerado Petrobras um call difícil devido ao alto nível de interferência do governo; agora esta poderia ser uma oportunidade.


 

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