Em petrobras

Disparada do petróleo pode abrir janela para Petrobras subir preço da gasolina em 2015

Governo pode resgatar confiança na Petrobras, mas o consumidor não gostará muito da solução

bomba de gasolina - posto - Petrobras
(Reuters)

SÃO PAULO - Endividada, em meio a escândalos de corrupção e diante de uma espiral de desvalorização do petróleo, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) despencaram no fim do ano passado e só recentemente a estatal começou a recuperar o seu valor de mercado em meio à divulgação do seu esperado balanço auditado. O forte rali iniciado desde a metade de março pode ter ser agora um novo pivô. O único problema é que isso pode pesar bastante no seu bolso. 

Desde o ano passado, o preço da gasolina ainda não sofreu um reajuste. Mas no mercado externo, o combustível já teve uma valorização de quase 90% em reais, lembra o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito. "Este movimento de alta (como pode ser visto no gráfico abaixo) é decorrente da recuperação do preço do combustível, mas, principalmente, da depreciação do real frente ao dólar", explica.

Com o real perdendo a briga contra a moeda dos EUA pelo menos até o fim deste ano e o barril do petróleo em tendência clara de valorização nos mercados de commodities internacionais, uma alta da gasolina por aqui faria todo o sentido na visão do economista. "Já sabemos que o Banco Central não quer ver um real forte, afinal isso iria contra o ajuste que ele mesmo quer fazer nos preços relativos e a indicação recente que irá diminuir a rolagem dos swaps corrobora nesse sentido".

Voltando à Petrobras, vale lembrar que a gestão de Aldemir Bendine frequentemente defende o seu direito de formar seus próprios preços. Com a equipe econômica do governo, hoje encabeçada por Joaquim Levy no ministério da Fazenda, contra Guido Mantega nos tempos dos preços administrados do combustível, pode ser que o pleito de Bendine seja atendido. 

Para a petroleira e o acionista dela, isso seria uma notícia a se comemorar, já que poderia refazer parte do caixa. "Como 2015 está 'perdido' a alta poderia reforçar o sentimento de segurança e de confiança com a empresa e o país. No fundo seria como se o governo se financiasse através da população para resgatar a confiança na Petrobrás e por tabela no país", avalia Perfeito.

 

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