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Para onde a Petrobras vai? Santander destaca as 6 principais questões da estatal

Santander Investment Securities iniciou cobertura para os títulos da Petrobras com recomendação overweight na última semana e destacou os desafios a serem trilhados pela estatal

Petrobras - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - No final da última semana, o Santander Investment Securities iniciou a cobertura para os títulos da Petrobras (PETR3;PETR4) com recomendação overweight (exposição acima da média) destacando que as piores notícias para a companhia já passaram e que notícias positivas sobre corte de custos e vendas de ativos estão no caminho.

Segundo o analista Aaron Holsberg, as preocupações de que a companhia sofra um default cessaram com a divulgação do balanço, aumentando as perspectivas para os bonda da empresa brasileira. 

O Santander também nota os ecos do mercado sobre os principais desafios que a Petrobras enfrenta em meio às denúncias de corrupção que afetam a companhia. E, segundo Holsberg, a decisão da estatal de se financiar através de bancos da China e Brasil ancora as possibilidades de financiamento da empresa. O corte nos gastos com capital e a suspensão do pagamento de dividendos também é um passo importante. 

Para o futuro, há vários desafios que a companhia terá que enfrentar, incluindo a desaceleração do crescimento da produção, a falta de habilidade para atingir a meta de US$ 13,7 bilhões em venda de ativos para este ano e o próximo e a redução menor que esperada em gastos de capital.

Confira o cenário traçado pelo Santander para a companhia e as principais questões para a estatal:

"Neste início de cobertura, revisamos os eventos recentes, abordamos questões-chave e discutimos valores relativos e fazemos uma discussão sobre as causas da deterioração do crédito da companhia, o inquérito da Lava Jato e o impacto dos preços de petróleo e dos combustíveis", reforça o analista.

O Santander destaca cinco pontos principais: 

1. A publicação das finanças auditadas que diminuem as preocupações sobre um default técnico. No entanto, a companhia continua muito alavancada e copm um déficit de financiamento de cerca de US$ 20 bilhões em 2015. No melhor cenário, a alavancagem se estabiliza, mas uma melhora é improvável no futuro próximo.

2. Notícias recentes que ressaltam as opções de financiamento da Petrobras, notadamente dos bancos públicos brasileiros e de empréstimos baseados em ativos.

3. O Santander enxerga uma grande oportunidade para reduzir capex e vender ativos não essenciais, mas a execução é a chave.

4. A recomendação da equipe de análise é baseada na convicção sobre a ligação entre a companhia e o crédito soberano, além do suporte do governo. Conforme destaca o Santander, o governo do Brasil tem muitos meios que poderiam ajudar a Petrobras (preços, capex, investimento, desinvestimento e financiamento), embora vários deles tenham um custo político.

5. Fundamentos são fracos, mas estão se estabilizando, o momento é bom, e provavelmente há catalisadores positivos de tamanho médio. Já os catalisadores negativos estão fora do controle da Petrobras (câmbio, governo, Lava Jato) e são mais difíceis de serem previstos. 

6. A equipe de análise tem recomendação overweight para os títulos da Petrobras destacando um potencial de curto prazo para os papéis, destacando também a alta liquidez dos ativos.

As principais questões sobre a Petrobras:

O Santander também destacou quais são as principais questões para a companhia, que estão elencadas abaixo.

1. Qual a probabilidade da Petrobras ser rebaixada novamente e, em particular, qual é a probabilidade de perder o grau de investimento que resta para a companhia?

Embora a Moody's tenha deixado uma porta aberta para rebaixar a Petrobras, a agência optou por remover a companhia da observação negativa na esteira da divulgação dos resultados, assim como a Fitch (esta última mantendo a perspectiva negativa).

"Nós não esperamos nenhuma mudança de curto prazo da classificação atual de crédito da Standard & Poor's através de sua classificação atual de crédito de emissor de BBB-, com perspectiva negativa. A companhia foi rebaixada pela S&P em 23 de março para B+", afirmou.

Porém, embora espere não haver novos rebaixamentos no curto prazo, o analista do Santander acredita que a empresa terá que mostrar progresso em várias frentes para evitar novos rebaixamentos. Dentre eles, alienação de ativos, corte do capex, obtenção de financiamentos para cobrir os vencimentos e encolher o fluxo de caixa livre negativo. Ele também destaca que, se houver uma desvalorização significativa do real, as agências, provavelmente buscarão algum aumento nos preços domésticos dos combustíveis.

2. A Petrobras pode emitir títulos em 2015 e, se sim, quando e em que termos? Qual a configuração mais provável?

A Petrobras considera que as necessidades de caixa foram atendidas em 2015, mas que precisa acessar os mercados em 2016, com destaque para a emissão de títulos. Gestores consultados pelo Santander destacam que a emissão da Petrobras poderia totalizar de US$ 3 bilhões a US$ 5 bilhões, dividindo-se em emissões em euro, libra e dólar, com vencimentos entre cinco e sete anos.

3. Quais são as outras opções de financiamento para a Petrobras?

Se os mercados financeiros permanecem fechados para a Petrobras, há outras opções. Olhando para os contratos de empréstimo de médio prazo obtidos pela companhia, o Santander destaca que a maior parte são de bancos como o BNDES, Banco do Brasil e Caixa, sendo que o primeiro é, de longe, o maior banco credor de Petrobras.

"Nós pensamos que há espaço para os limites de concentração para acomodar mais empréstimos significativos. Poderíamos também imaginar empréstimo bancário privado para a Petrobras, especialmente de bancos locais como Itaú e Bradesco, mas também de bancos estrangeiros. E deve haver condições em que os empréstimos para a Petrobras façam sentido". 

O financiamento baseado em ativos é outra opção, enquanto a última opção implicaria no governo brasileiro fornecendo uma garantia incremental em nova dívida para a Petrobras. 

4. E o que mais o governo brasileiro pode fazer para melhorar a situação da Petrobras?

O governo brasileiro, na qualidade de acionista controlador da Petrobras, tem essencialmente quatro meios de alto impacto para melhorar o perfil de crédito da empresa: (1) o aumento dos preços dos combustíveis domésticos da gasolina e do diesel, que podem variar de 40% a 60% da receita da Petrobras; (2) a redução do capex para liberar o fluxo de caixa e reduzir os requisitos de participação da Petrobras nos leilões futuros; (3) alienar ativos para reduzir a dívida e, portanto, despesas com juros; e (4) ajudar a Petrobras a obter financiamento.

5.  Quanto a Petrobras pode reduzir capex?

redução significativa do capex já está acontecendo, e o Santander vê mais oportunidades em muitos negócios da Petrobras. A Petrobras confirmou que capex deva cair de 33% a partir deste nível em 2015, de US$ 43 bilhões para US$ 29 bilhões. E ressalta que a redução de capex começou em 2014, caindo 23%, para US$ 34,8 bilhões dólares. "Vemos oportunidades para reduzir o capex ainda mais, com corte de até 25%". 

6. Quanto a Petrobras pode levantar com a venda de ativos: a meta de US$ 13,7 bilhões é realista?

A Petrobras está comprometida com a alienação de US$ 13,7 bilhões em ativos durante 2015-2016, dos quais 30% viriam do segmento de exploração e produção e 40% viriam do setor de energia.

O caso base dos analistas é que a petrolífera vai alienar US$ 1,5 bilhão em ativos em 2015 e US$ 2,5 bilhões em 2016, mas os desinvestimentos podem ser maiores. Entre os bens mais "vendáveis", estão os ativos de geração termelétrica. 

"Notamos que a partir de 2010-2012, a Petrobras foi capaz de rentabilizar US$ 7 bilhões em ativos não estratégicos, principalmente ativos internacionais, de uma meta original de US$ 10 bilhões. O plano estratégico da Petrobras de 2013-2017, lançado no início de 2013, direciona  vendas de ativos adicionais de US$ 10 bilhões"

 

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