Em petrobras

Após resultados, ação da Petrobras cai 3% e fecha na mínima desde 2005

Embora lucro tenha vindo acima do esperado, fala da presidente da estatal desanimou os investidores; analistas enxergam pontos de melhoria, mas reforçam riscos de curto prazo

Graça Foster Petrobras 1
(Reuters)

SÃO PAULO - Os resultados divulgados pela Petrobras (PETR3PETR4) na noite anterior na noite anterior agitam o mercado na sessão desta quarta-feira (26). Se por um lado, antes da abertura da bolsa brasileira, os ADRs (American Depositary Receipts) registravam ganhos, o dia foi de queda para os papéis da companhia brasileira na BM&FBovespa.

Queda que se concentrou ainda mais no início da tarde, após a teleconferência de resultados em que a presidente da companhia, Graça Foster, destacou o plano de negócios e reiterou que busca a convergência dos preços de petróleo na comparação com as cotações internacionais. Porém, a presidente da companhia destacou que o preço da gasolina só será equiparado ao mercado externo a partir de 2015, avaliando que o ano de 2014 não contempla a convergência de preços, contemplando-se somente nos próximos dois anos do plano.

Com isso, as ações aumentaram ainda mais as perdas e fecharam com queda de 3,53% para os ativos PETR4, a R$ 13,68 - menor fechamento desde novembro de 2008 - e de 2,86% para os ativos ON, que fecharam aos R$ 12,90, o menor patamar de encerramento desde agosto de 2005. 

A Petrobras registrou queda de 19% no lucro líquido no quarto trimestre de 2013 para R$ 6,28 bilhões e, apesar da queda nos últimos três meses do ano, teve aumento de 11% do lucro no ano passado. Os números não chegaram a surpreender o mercado, ficando relativamente em linha, de acordo com as projeções do Credit Suisse e levemente abaixo das estimativas em termos de lucro líquido do BB Investimentos, mas acima em relação à receita líquida e ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). 

Conforme apontam os analistas do Credit Suisse, os números apresentados e o plano estratégico de 2030 não mostraram "senso de urgência" da companhia para que os investidores voltem a comprar ações, apesar dos níveis de avaliação dos papéis, em queda forte no ano, sejam cada vez mais difíceis de se ignorar. 

Os resultados foram relativamente em linha, mas a geração de caixa já era pobre e o balanço vem se deteriorando cada vez mais, o que torna contraintuitivo que haja um aumento nos dividendos para as ações ordinárias. Desta forma, o único vetor verdadeiramente positivo fica para a meta de crescimento da produção, de 7,5%, com um intervalo de 1% para baixo ou para cima. 

Os analistas do Credit destacam que o Ebitda de R$ 15,5 bilhões e os R$ 6,3 bilhões de lucro líquido foram melhores que o consenso, mas relativamente mais fracos se excluídos R$ 1 bilhão com a venda de fatia de 35% no projeto BC-10 à Shell e à ONGC Videsh, anunciado no último dia útil de 2013. 

Já o analista Nataniel Cezimbra, do BB Investimentos, destacou as surpresas positivas no balanço em termos de receita líquida e do Ebitda, que decorreram sobretudo do menor ritmo das importações de derivados e da elevação da capacidade de refino interno, bem como do impacto dos reajustes de preços ao longo do ano nas receitas. Apesar dos números positivos em alguns segmentos, o analista ressalta que o endividamento permanece como um dos principais pontos de atenção em relação à estrutura de capital da companhia, mesmo com o perfil de longo prazo dos débitos da estatal. 

Endividamento preocupa e reajuste segue no radar do mercado
Os analistas da XP Investimentos destacam preocupação com os dados de abastecimento, com um prejuízo de R$ 5,46 bilhões, mesmo com os reajustes do preço do diesel e da gasolina, ocorridos no início de dezembro. A XP Investimentos destaca que o mercado segue aguardando informações a respeito. Anteriormente, aponta, previa-se um reajuste de combustíveis no segundo semestre de 2014, mas avalia-se que um ajuste de preços possa ser feito na primeira metade do ano. 

De acordo com os analistas, a probabilidade de reajuste de combustíveis aumenta no intuito de "reduzir a sangria que é o fluxo de caixa negativo todo o trimestre, pois a alavancagem financeira da companhia aumentou e passou do teto estipulado pela própria diretoria financeira". A relação dívida líquida sobre o Ebitda passou para 3,52 vezes enquanto a relação entre a dívida líquida e o patrimônio encerrou 2013 a 39%, ante 35%.

"Acreditamos que reajuste de preços é uma saída para reduzir a alavancagem. Se não vier no curto prazo, abastecimento permanecerá sendo o maior problema da companhia. Outro ponto é refino onde a companhia está trabalhando com altas taxas de utilização, na casa de 97%, o que pode gerar e deve ter gerado os problemas na Repar e na Reduc".

Em relatório, os analistas do HSBC ainda apontam para um "cenário pedregoso" para a companhia em meio à intervenção governamental, apesar da companhia ter excelentes ativos e um grande potencial de crescimento, o que torna "a escadaria para o paraíso" mais longa e acidentada. Com isso, o case de investimentos se mantém. 

Plano de negócios: visão divergente
Sobre o plano de negócios dos anos de 2014-2018, que contemplam investimentos da ordem de US$ 220 bilhões, é significativamente melhor do que a do plano anterior, de 2013-2017, de acordo com os analistas do Credit Suisse. Eles ressaltam o melhor portfólio de investimentos, de 70% em exploração e produção versus o 62% do ano anterior.

Por outro lado, aponta o Citi, o plano de negócios mantém uma alta perspectiva de investimento em capital, o que é bastante preocupante dado os números da dívida da companhia e a erosão do seu fluxo de caixa. 

 

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