Radar InfoMoney Light vende fatia na Renova Energia por R$ 1; Vale produz 86,7 milhões de toneladas de minério no terceiro tri e mais destaques

Light vende fatia na Renova Energia por R$ 1; Vale produz 86,7 milhões de toneladas de minério no terceiro tri e mais destaques

Notícias Corporativas

OFERECIDO POR
Ciência & Saúde

Mudar a gestão aumenta o atendimento da saúde pública em 30%, dizem especialistas

Com mudança de gestão, hospital público diminuiu tempo de permanência do paciente em 63% na UTI, em 57% na Enfermaria e em 55% no Pronto-Socorro, liberando capacidade de atendimento e melhorando o cuidado: mortalidade por infeção generalizada, por exemplo, caiu 22 pontos percentuais

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Mudar a gestão pode aumentar, de forma imediata, em 30% a capacidade de atendimento dos hospitais públicos, sem precisar investir em mais profissionais ou recursos, mas apenas mudando a maneira como se organiza o trabalho. Esse percentual pode ser maior, dependendo da forma como a mudança é feita. Além disso, também aumenta a segurança e melhora o cuidado com pacientes, ajudando a salvar vidas.

A avaliação é de dois especialistas com experiências em mudanças na gestão da saúde nos setores público e privado.

Um deles é o médico oncologista Carlos Frederico Pinto, autor do livro “Em busca do cuidado perfeito” e diretor do Instituto de Oncologia do Vale (IOV), rede de clínicas de São José dos Campos (SP) que há cerca de 10 anos iniciou um processo de mudança de gestão ao adotar o sistema lean, filosofia de gestão inspirada no modelo Toyota.

PUBLICIDADE

Segundo o médico, a rede de clínicas aumentou em quase 300%, em cerca de 10 anos, a capacidade de atendimento, sem precisar fazer investimentos, além de eliminar filas e esperas, aumentar a segurança e a qualidade do cuidado. A rede de clínica se tornou referência internacional: já recebeu visitas de profissionais vindos de quatro continentes, e o médico já fez mais de 100 palestras sobre o tema no Brasil e em outros países.

Avaliação similar é da enfermeira Renata Mantovani, diretora de enfermagem do Hospital Municipal Doutor José de Carvalho Florence, maior hospital público de São José dos Campos, que atende cerca de 20 mil pessoas por mês, cujo atendimento fica disponível para uma população de mais de 1 milhão de habitantes no Vale do Paraíba.

Há cerca de três anos, o hospital também iniciou um processo de mudança de gestão ao adotar o sistema lean. Com isso, segundo a diretora de enfermagem, já diminuiu o tempo médio do paciente em até 63% na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) (de 11 para 7 dias), em até 57% na Enfermaria (de sete para quatro dias) e em até 55% no Pronto-Socorro (de 22 para 9 horas e meia). Assim, aumentou a capacidade de atendimento, mantendo ou aumentando a qualidade do cuidado, afirmou a enfermeira.

Os dois especialistas afirmam que isso é possível porque a gestão lean permite analisar os processos dos serviços de saúde e com isso identificar e eliminar desperdícios, ou seja, trabalhos que eram realizados, consumiam tempo e recursos, mas não agregavam valor ao paciente. Segundo eles, é comum obter aumentos de 30% em capacidade de atendimento logo nos primeiros anos de mudança de gestão.

No IOV, o sistema lean é aplicado em todos os processos produtivos, afirma o diretor do local. Segundo ele, um dos conceitos utilizados, por exemplo, é a gestão visual, que deixa visível, para todos, as informações cotidianas sobre os processos. Com isso, médicos, enfermeiros, técnicos e profissionais administrativos são estimulados, a todo momento, a encontrar e resolver problemas que possam gerar desperdícios e prejudicar o atendimento aos pacientes.

De forma similar, a gestão visual também foi um dos conceitos adotados no Hospital Municipal Doutor José de Carvalho Florence, principalmente no pronto-socorro, disse a diretora de enfermagem. Segundo ela, a mudança de gestão agilizou a alta e as transferências dos pacientes. Para isso, o hospital adotou uma série de conceitos de gestão lean. Por exemplo, a gestão visual, como no IOV, que permitiu aos médicos, por exemplo, entender de forma rápida quais são os pacientes mais prioritários, e o chamado “gerenciamento diário”, que reorganizou a forma de atendimentos dos pacientes, determinando fluxos dedicados, planejados caso a caso.

PUBLICIDADE

A diretora de enfermagem disse que a mudança de gestão também gerou a diminuição da mortalidade por sepse, a chamada infecção generalizada, que era de 50% e caiu para 28% em menos de um ano. Para alcançar esse resultado, foi desenvolvido um “A3”, uma ferramenta de gestão do sistema lean que gera uma análise das causas raízes de um problema e as contramedidas necessárias para eliminá-lo. Com essa ferramenta, segunda a enfermeira, os médicos e enfermeiros conseguiram antecipar a identificação da sepse, agilizando o tratamento e diminuindo a mortalidade. “Essas mudanças de gestão têm salvado vidas aqui em nosso hospital”, resumiu Mantovani.

Para os dois especialistas, embora melhorar a gestão aumente a quantidade e a qualidade do atendimento, apenas isso não resolve por completo o déficit da saúde pública no Brasil. De acordo com os especialistas, é preciso também aumentar os recursos para atender a demanda.

“São as duas coisas. Falta hospital também. A demanda é muito grande, é maior do que a nossa capacidade. Ao mesmo tempo, é preciso melhorar os processos para gerenciar bem essa alta demanda. Nesse contexto, a mudança de gestão é fundamental para eliminar processos que só desperdiçam recursos”, disse a diretora de enfermagem do hospital municipal.

“Também acho que faltam recursos, mas tenho certeza de que os recursos que se tem hoje são muito mal utilizados, o que piora ainda mais a situação. Na verdade, na grande maioria dos casos, o sistema de gestão da saúde pública no Brasil não gerencia nada. Assim, não prevê o que vai acontecer. Como não prevê, os profissionais ficam o tempo inteiro “apagando incêndios”, por exemplo, atendendo pacientes nos corredores”, disse o médico e diretor do IOV.

Para Flávio Battaglia, especialista em sistema lean aplicado à gestão da saúde e diretor do Lean Institute Brasil (www.lean.org.br) – entidade sem fins lucrativos que está organizando o Lean Summit Saúde, encontro que vai reunir no dia 11 de junho, em São Paulo, hospitais e clínicas que estão implementando esse modelo de gestão, como Sírio Libanês, Grupo Santa Joana, entre outros -, já está comprovado, principalmente no setor privado, que a adoção do sistema lean na gestão da saúde aumenta a capacidade de atendimento, melhora a segurança e a qualidade do cuidado. “É uma mudança que cotidianamente salva vidas, mas, infelizmente, ainda é algo muito pouco difundido no setor público, o que é também uma excelente oportunidade para se buscar essa transformação”, disse Battaglia.

Website: https://www.lean.org.br/lean-summit-saude-2019.aspx