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Felipe Montoro Jens reporta que brasileiros estão entre os mais insatisfeitos do mundo com a infraestrutura de seu país

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Ipsos em 28 países, entre 25 de agosto e 8 de setembro de 2017<br/>

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De acordo com um levantamento do Instituto Ipsos, empresa independente na área de pesquisa de mercado presente em 88 países, os brasileiros são os mais insatisfeitos com a infraestrutura de seu país. O estudo realizado em 28 nações, entre 25 de agosto e 8 de setembro, revelou que cerca de 60% da população brasileira está insatisfeita com o setor, destaca o especialista em Projetos de Infraestrutura, Felipe Montoro Jens. A média global de insatisfeitos com a infraestrutura é de 30%.

Atrás do Brasil no ranking dos desgostosos com a infraestrutura do seu país vem a África do Sul (51%), Sérvia (49%) e Itália (43%). Na avaliação contrária, ou seja, das pessoas satisfeitas com a situação da infraestrutura, a média é de 37%, sendo Arábia Saudita (65%), Índia (59%) e Alemanha (53%) os primeiros colocados. O Brasil, por sua vez, está em penúltimo lugar, com apenas 19%.

Contudo, o pior dado brasileiro é em relação ao item qualidade das rodovias, destaca Felipe Montoro Jens. Nesse quesito, apenas 29% da população nacional está feliz, muito atrás do penúltimo país da lista, a Hungria, com 41%, reporta o especialista em Projetos de Infraestrutura.

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De acordo com o diretor do Instituto Ipsos, Danilo Cersosimo, o levantamento retrata uma realidade histórica. “O Brasil sempre teve uma infraestrutura precária. Houve fases de mais investimento, mas nunca algo contínuo e sustentável”, afirmou o diretor. Cersosimo acrescentou, ainda, que o fato da insatisfação dos brasileiros ser maior do que a da população de outros países tem relação, também, com as promessas de investimentos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas.

“Criou-se uma expectativa que não se confirmou”, explicou o diretor, que salientou que a má gestão dos recursos resulta em desconfiança em relação às obras, por conta de corrupção, atrasos, planejamento ruim e projetos inacabados, reporta Felipe Montoro Jens.

Aeroportos

Conforme os dados do levantamento do Ipsos, os aeroportos estão bem analisados na média global, com 68% de avaliação ótima ou boa. África do Sul (83%), Índia (81%), Colômbia (81%) e Nova Zelândia (79%) lideram o ranking. Já o Brasil, nesse quesito de avaliação da qualidade dos aeroportos, ocupa a última colocação, com 47%.

Para o diretor do Ipsos, isso acontece porque no país não se discute infraestrutura sob a perspectiva de política pública e de desenvolvimento sustentável. “Só se fala de grandes obras para geração de emprego. O argumento é bem utilitarista”, ponderou Danilo Cersosimo.

Internet

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A respeito da avaliação da qualidade da internet banda larga, o item teve um percentual global de 56% favorável. Na liderança ficou a Sérvia (74%), a Coreia do Sul (73%) e a Índia (72%). O percentual do Brasil foi de 37%, apenas superior ao da Itália (35%) e da Austrália (32%), ressalta Felipe Montoro Jens.

“Surpreende ver países mais desenvolvidos menos satisfeitos, mas o nível de exigência é maior. A tendência, no caso da internet, é avaliar mais o serviço do que a infraestrutura”, enfatizou Cersosimo.

Meios de transporte

O levantamento abordou, ainda, o grau de satisfação da população mundial relacionado a viajar de carro. Nesse quesito, o Brasil também é um dos últimos colocados, com 51% de satisfeitos, sendo a média global de 61%. Para as viagens de metrô, o percentual nacional também é de 51%, deixando o país mais uma vez entre os últimos colocados.
A melhor posição brasileira no que se refere aos meios de transporte é nas viagens de ônibus, com satisfação de 50%, próxima da média mundial de 53%, destaca o especialista Felipe Montoro Jens.

De acordo com o especialista em infraestrutura do escritório L.O.Baptista Advogados, Marlon Ieiri, o problema do Brasil é que o país não investe na manutenção da infraestrutura, que acaba deteriorando-se.

“As concessões antigas estão sendo devolvidas por modelagens erradas. Agora, como o governo não tem dinheiro para investir, permite retorno maior do investimento para atrair a iniciativa privada. Mas precisamos melhorar a qualidade dos projetos […] Envergonha ver a colocação do Brasil nesse ranking, porque se gasta muito dinheiro, porém de maneira ineficaz. E a má gestão é pior do que a corrupção, porque duplica, triplica o valor dos projetos”, frisou Marlon Ieiri.

Website: http://www.felipemontorojens.com.br