SBCP denuncia ao Governo Colombiano fraude na especialização que cirurgiões colombianos fazem no Brasil

Comprovada a fraude, agora a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica espera que o país vizinho cancele o registro dos especialistas que fizeram cursos de finais de semana no Brasil

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O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Luciano Chaves e o diretor Jurídico da entidade, Carlos Michaelis Jr, estão reunidos nesta quarta-feira, 27, em Bogotá (Colômbia), com o Vice-Ministro da Educação Francisco Javier Cardona Acosta e representantes da Sociedade Colombiana de Cirurgia Plástica (SCCP) para solicitar o cancelamento dos títulos de especialista em cirurgia plástica emitidos na Colômbia a partir de diplomas ilegais emitidos pela Universidade Veiga de Almeida para médicos colombianos que vieram fazer “cursos de final de semana” no Brasil.

Ao custo de até 100 mil reais, estes médicos colombianos viajam uma vez a cada dois meses para assistir aulas teóricas no Brasil. Ao final de dois anos recebem um certificado de Especialista em Cirurgia Plástica, emitido pela Universidade Veiga de Almeida em parceria com a Academia Brasileira de Cirurgia Plástica, hoje chamada Academia Brasileira de Ciências Médicas. Depois, levam o certificado até o Ministério da Educação na Colômbia para obtenção do título de especialista, ficando assim autorizados a atuar como cirurgiões plásticos.

Pelo menos 43 médicos colombianos já conseguiram registrar os títulos no Ministério da Educação da Colômbia. A estimativa é de que mais de 100 médicos colombianos tenham participado ou estejam participando do mesmo processo e recebido certificado pela Veiga de Almeida, que não possuiu, assim como a Academia Brasileira de Cirurgia Plástica, autorização legal para oferecer cursos de especialização em cirurgia plástica no Brasil. Sem nenhuma carga horária em aulas práticas, o que é fundamental para formação de especialista em cirurgia plástica, os médicos fazem apenas aulas teóricas.

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Após a denúncia da SBCP, ocorrida no início de junho, o Ministério da Educação colombiano passou a investigar o caso. Chegou a enviar uma comissão ao Brasil para visitar a Universidade Veiga de Almeida e a antiga Academia Brasileira de Cirurgia Plástica. “Essas instituições não têm autorização legal e nem condições físicas para ofertar um curso de especialização em cirurgia plástica. São cursos ilegais e ilegítimos, que não são reconhecidos nem pelo MEC, nem pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e SBCP”, afirma o presidente da SBCP. Essas pós-graduações em cirurgias plásticas já estão sendo questionadas ao Ministério da Educação do Brasil.

A ação conjunta entre a Universidade Veiga de Almeida e a atual Academia Brasileira de Ciências Médicas só faz piorar a questão da segurança do paciente (agora não somente no Brasil, mas também nos países vizinhos). “O Brasil está exportando um modelo fraudulento de formação de especialistas em cirurgia plástica. Isso é péssimo para a segurança dos pacientes e para a imagem de toda a medicina brasileira”, alerta Luciano Chaves, presidente da SBCP. Se aproveitando de brechas legais para que médicos não cirurgiões sigam operando, esta entidade agora está exportando um modelo fraudulento de emissão de título de especialização em cirurgia plástica, utilizando zonas cinzentas na lei para tentar se legitimar como entidade representativa dos profissionais que sem a formação necessária insistem em atuar em cirurgia plástica.

A SCCP, que é sociedade-irmã da SBCP, se posicionou contra e emissão desses títulos e solicitou apoio da entidade brasileira.

Além da reunião com o Vice-ministro, Luciano Chaves participa de uma coletiva de imprensa com os veículos locais para explicar como que a fraude vem se desenvolvendo no Brasil e os riscos que um profissional sem o devido preparo em cirurgia plástica pode expor seus pacientes. Também se reunirá com os representantes da embaixada do Brasil na Colômbia para discutir o mesmo tema. “A saúde das pessoas está em risco e isso é uma responsabilidade de todos nós. Já existem relatos de mortes de pacientes desses falsos cirurgiões, o que é lamentável”, afirma Chaves.

Website: http://www2.cirurgiaplastica.org.br

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