Arie Halpern: a nova construção civil será disruptiva

O economista e empreendedor com foco em inovação Arie Halpern fala, neste artigo, sobre as inovações no setor da construção

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As tecnologias disruptivas avançam para a construção civil. De novas formas de captação de energia renovável até capacetes com realidade aumentada e concreto inteligente, as inovações vão muito além dos robôs e drones. O Brasil está atrasado em relação à indústria dos Estados Unidos e de países da Europa, mercados onde a construção é um dos setores que mais investe em novas tecnologias, mas, nos próximos cinco anos, a indústria nacional espera encostar na internacional.

Sondagem Especial, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que, apesar do fraco desempenho do setor, que representa 10% do Produto Interno Bruto e emprega mais de 8 milhões de trabalhadores, 80% das indústrias da construção pretendem investir em novas tecnologias nos próximos cinco anos. Os empresários, segundo a CNI, entendem que é importante modernizar os processos de produção e de gestão para elevar a produtividade e aumentar a qualidade das obras.

No mundo, há os chamados “green building” (construção verde, em tradução livre). Um exemplo de projeto com esse conceito são as “kinects roads”, ou “estradas cinéticas”. Como o próprio nome sugere, essas estradas são construídas com sensores que capturam a energia cinética liberada pelos carros e, depois, a convertem em energia elétrica. Algumas empresas também estudam desenvolver “estradas solares” e “vidros fotovoltaicos”, que captam e armazenam energia solar.

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Produtos acabados que usam nova tecnologia também estão na mira da construção civil. Um exemplo é o vidro inteligente, criado pela israelense Gauzy. Ele é capaz de bloquear a passagem da luz em diferentes intensidades, utilizando impulsos eletromagnéticos. Chamado de smart blinds, a tecnologia está presente em mais de 13 países, incluindo o Brasil. A expectativa é de que, na medida em que novas tecnologias surjam, o mercado de vidros inteligentes chegue de 10% a 15% do consumo.

O concreto capaz de se reparar sozinho é outra inovação de ponta. Chamado por seu criador, Hendrik Jonker, de bioconcreto, esse material é capaz de se reparar graças à presença de bactérias encontradas naturalmente em regiões vulcânicas e que, quando postas em contato com a água, produzem calcário, fechando assim qualquer fissura que o material tenha antes que elas o danifiquem.

Até mesmo a realidade aumentada passou a fazer parte do cotidiano dos trabalhos nos canteiros de obra, como os Smart Helmets. Esses capacetes de proteção possuem óculos de realidade aumentada e podem dar aos trabalhadores informações em tempo real sobre a construção, como leitura de válvulas, dados térmicos, materiais no estoque e instruções de segurança. Com isso, o Smart Helmet aumenta a produtividade e torna o trabalho dos construtores mais seguro. O Building information modelling (BIM) também é cada vez mais utilizado. O princípio é simples: quando alguém atualiza um pedaço de informação sobre a construção, todo mundo recebe essa atualização, como em um serviço de nuvem, agilizando a forma de trabalho.

Como se vê, a construção tem grande potencial disruptivo e é por isso que a atenção da indústria internacional está voltada para as novas tecnologias. As pessoas ainda têm uma imagem antiga do setor, mas, conforme essas tecnologias forem se concretizando, vamos assistir a um avanço sem precedentes não só no que diz respeito à rotina laboral dos trabalhadores da área, mas nas próprias construções.

Website: http://ariehalpern.com.br/

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