Em paodeacucar

Para acionistas do Pão de Açúcar, Bolsa é um "cassino"

Resultados do GPA são consistentes, mas as dificuldades do Casino, que tem quase 23% da companhia, vêm criando um clima de incerteza

Roleta
(Wikimedia)

SÃO PAULO – Quem tem ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) na carteira passou por grandes emoções nos últimos tempos. Entre 25 de abril e 24 de maio, o papel despencou de R$ 98,33 para R$ 84,70 (preço da abertura desta sexta-feira). Considerando apenas o mês de maio, o papel está entre as baixas mais significativas do Ibovespa (14%).

O que chama atenção é que, analisando o negócio de perto, em tese não há razão operacional para a empresa ser tão penalizada na Bolsa. Para analistas e gestores, o culpado está do outro lado do oceano - e atende pelo nome de Casino.

Dois lados da moeda

Nos balanços financeiros, o GPA segue mostrando boas práticas de governança, evolução para o ambiente digital e bons resultados balanço após balanço, aproveitando as sinergias possíveis. No primeiro trimestre, o crescimento das vendas nas mesmas lojas (SSS) foi de 10,7% A/A para o Atacarejo (Assai) e 4,8% A/A para o Multivarejo (hipermercados, supermercados lojas de conveniência).  

Mas o supermercadista não caminha sozinho. O Casino, que tem participação de 22,7% do GPA, criou uma onda de incerteza no mercado quando anunciou, no início do mês, que pretende reorganizar os ativos latino-americanos – deixando o investidor sem saber o que será da empresa. Vale lembrar que o Casino vem apresentando problemas há anos, o que aumenta a cautela.

Com dívidas da ordem de 2,9 bilhões de euros, a Rallye, holding francesa dona do Casino, teve aprovado nesta quinta-feira (23) um plano contra seus credores, uma espécie de Recuperação Judicial. Para analistas da Levante, a salvaguarda para reestruturar as dívidas afastam, por ora, a tal reorganização de ativos, que poderiam levar até à venda do Grupo GPA.

O anúncio fez com que Casino e Rallye tivessem a negociações de suas ações suspensas por um dia, mas, nesta sexta, a ação da Rallye despencou impressionantes 61,25%. Como a notícia é vista como um tempo extra para a reestruturação do Casino, os papeis da controladora do GPA subiram 7,48%. No ano, porém, acumulam queda de 17,36%.

Bo Brasil, os papéis do Pão de Açúcar chegaram a cair 4% no pregão de quinta, quando a recuperação foi anunciada, antes de amenizarem para queda de 0,79%. Nesta sexta, fecharam em baixa de 1,05%, ante queda de 0,3% do Ibovespa.

Oportunidade?

Dentro do universo de analistas consultados pela Bloomberg, o GPA tem 100% de recomendação de compra atualmente. São  18 casas apostando na alta do papel e nenhuma posicionada em venda ou manutenção. O preço-alvo médio está em R$ 110,59 para os próximos 12 meses, um potencial de valorização de 30,56%.

Na semana passada, o UBS disse com todas as letras que a ação está parecendo uma boa oportunidade após o sell-off que a derrubou.  

A gestora Navi Capital já está se mexendo para aproveitar essa onda. Em entrevista à Bloomberg, Felipe Campos, sócio da asset, disse que está aumentando a posição no Pão de Açúcar “com o mercado em modo pânico”.

“A governança da empresa melhorou muito nos últimos anos e confiamos na administração para que qualquer reestruturação seja feita em termos racionais.", comentou Campos.

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