Pegada sustentável

XP lança fundo que investe em créditos de carbono no exterior

Voltado para o público geral, Trend Carbono Zero tem aplicação inicial de R$ 100 e taxa de administração de 0,50% ao ano

Energy innovation light bulb graphic interface.
(Getty Images)

SÃO PAULO – O investidor em busca de alternativas sem relação com a renda fixa ou com a Bolsa para diversificar o portfólio acaba de ganhar nesta segunda-feira uma nova opção de fácil acesso, e que ainda se enquadra no filtro ESG.

A XP lançou hoje o fundo Trend Carbono Zero. Diferentemente dos demais produtos da família Trend, que costumam acompanhar a variação de índices globais de ações ou de renda fixa, a proposta do novo fundo é seguir o desempenho do índice “IHS Markit Global Carbon Index“.

O benchmark, por sua vez, segue a oscilação de contratos futuros negociados em bolsas internacionais na Europa e nos Estados Unidos cujo lastro final são créditos de carbono, explica Henrique Sana, estrategista de índices e ETFs da XP Inc.

A origem do mercado de crédito de carbono remonta ao Protocolo de Kyoto, em 1997, e se insere nos esforços dos governos para desacelerar o processo de aquecimento da temperatura global.

Esses créditos, diz Sana, se originam por meio de ações que comprovadamente reduzam a emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

O plantio de florestas que “sequestram” o gás carbônico e preservam o bioma da região, bem como a adoção de fontes renováveis de energia fazem parte do hall de possibilidades consideradas. Sendo que, para cada tonelada de gás carbônico que deixa de ser emitida, uma unidade de crédito de carbono é gerada, explica Beatriz Vergueiro, head de Produtos ESG da XP Inc.

Dados de mercado levantados pela XP mostram que, somente na Europa, região mais avançada no tema, foram movimentados cerca de 200 bilhões de euros na negociação de aproximadamente 10 bilhões de toneladas de CO2 apenas durante o ano passado.

Nesse nicho do mercado, países ou empresas que não conseguem cumprir com as metas estabelecidas de redução de emissão de carbono em suas atividades podem comprar esses créditos no mercado de forma a neutralizar o impacto ambiental negativo.

Na ponta vendedora estão agentes econômicos que não apenas cumprem com suas obrigações, como o fazem com alguma folga, aproveitando-se dessa gordura para transforma-la nos referidos créditos.

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O crescimento desse mercado se insere no âmbito dos objetivos estabelecidos no Acordo de Paris, que preveem uma redução em 50% da emissão de dióxido de carbono na atmosfera até 2030. A meta final dos países signatários é neutralizar completamente as emissões até 2050.

E nesse contexto de busca crescente por uma descarbonização da economia para alcançar tais objetivos, a expectativa na XP é que os créditos de carbono continuem sendo cada vez mais demandados, apresentado dessa forma uma trajetória positiva dos preços ao longo dos próximos anos. “O fundo deve se beneficiar da urgência climática e da transição para uma economia de baixo carbono”, afirma Beatriz.

Ganhos de 100% nos últimos 12 meses

O mercado de crédito de carbono está hoje mais desenvolvido principalmente na Europa, com a negociação desses ativos na bolsa European Union Allowances (EUA), e também em ambientes regulados nos Estados Unidos.

Por conta dessa configuração atual, o índice que o novo fundo da XP se propõe a acompanhar tem 75% de sua exposição voltada aos créditos negociados no mercado europeu, com os outros 25% nas bolsas americanas.

Em dólar, os ganhos do benchmark são de 43,9% em 2021, até 10 de junho, e de 100,2% no intervalo de 12 meses, segundo os dados da IHS Markit.

“Não existe um ‘trade off’, ou seja, do investidor ter de abrir mão do retorno por ser um investimento alternativo de viés sustentável. Pelo contrário, vemos uma oportunidade relevante de ganho financeiro”, afirma Marta Pinheiro, head de ESG da XP Inc.

O Trend Carbono Zero não ficará exposto à variação do dólar frente ao real, e tem taxa de administração de 0,50% ao ano, com aplicação inicial a partir de R$ 100. O ETF que serve como referência para o fundo é o KraneShares Global Carbon (KRBN), criado em julho de 2020, que busca replicar fielmente o desempenho do índice global.

O lançamento ocorre em um momento no qual o interesse do investidor brasileiro por alternativas sustentáveis está em alta. Segundo a head de ESG da XP Inc, em uma pesquisa recente com cerca de 30 mil clientes, algo próximo de 70% da base sinalizou que tem interesse de investir de 10% até 50% do patrimônio em produtos financeiros que unam retorno e impacto positivo.

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Segundo Marina Cançado, head de Sustainable Wealth da XP Private, ao escolher o produto para oferecer aos clientes, um dos principais pontos levados em consideração pela equipe foi entender qual o real impacto que o investimento promove no fim do dia. “O investidor que tem uma preocupação com o investimento ESG quer garantir que o impacto almejado com o produto seja de fato entregue”, afirma Marina.

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