XP compra fatia na Ável, segundo escritório investido sob novas regras para assessores de investimentos

Em vigor desde junho, Resolução 178 da CVM abriu a possibilidade de escritórios terem sócios-capitalistas, mantendo estrutura autônoma

Mariana Segala

Marcelo Heimerdinger e Fernando Pisa, co-CEO e CEO da Ável Investimentos (Divulgação)

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A XP Inc. (XPBR31) agora é sócia da Ável Investimentos, escritório de assessoria de investimentos com mais de 30 mil clientes ativos e R$ 10 bilhões sob custódia que já fazia parte da rede da corretora.

O acordo se concretizou com a aquisição de uma participação minoritária relevante na Ável, segundo escritório a ter a XP como sócia-capitalista, com base na Resolução 178 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Em vigor desde junho, a norma abriu a possibilidade de as assessorias terem também sócios investidores não atuantes no negócio, mantendo estrutura autônoma, com menor custo regulatório e menos riscos operacionais.

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A SVN Investimentos, de Maringá, no Paraná, foi o primeiro alvo da XP nesse novo modelo, com um acordo de sociedade anunciado ainda em junho. Os valores de ambas as transações não foram revelados.

Criada em 2019 por dois ex-funcionários da XP, a Ável está sediada em Porto Alegre, onde possui cerca de 450 funcionários, dos quais aproximadamente 240 são assessores de investimento. Com uma operação 100% digital, tem clientes nas 27 unidades da federação – e menos de 10% deles são do Rio Grande do Sul, seu estado de origem.

“A Ável tem a essência digital no seu modelo de negócios, o que é um diferencial competitivo frente às outras assessorias, combinada com uma capacidade de formação de assessores dentro de casa. É outra vantagem, num cenário cada vez mais aquecido de busca por esses profissionais”, diz Bruno Ballista, sócio e head de assessoria e atendimento ao cliente na XP.

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Fernando Pisa, CEO da Ável, e Marcelo Heimerdinger – ou Marcelo Cincão, como é mais conhecido o co-CEO da empresa – calculam que mais de 95% da aquisição de clientes tenha origem nos seus canais digitais. “O que nos conectou há quatro anos foi justamente ver o modelo de aquisição e marketing digital muito forte em outros setores. Nossa premissa era fazer uma assessoria grande, atendendo o Brasil inteiro, a partir das ferramentas de marketing digital”, explica Pisa.

Embora a maior parte dos clientes esteja dispersa pelo País, o mesmo não se pode dizer da equipe de assessores. Todos trabalham a partir de Porto Alegre, onde a Ável desenvolveu um programa de formação para evitar depender de profissionais que já tivessem carteiras próprias de investidores.

Por isso, finalizada a aquisição da participação pela XP, o próximo passo da empresa é abrir um novo escritório – dessa vez em Florianópolis, cidade catarinense conhecida por ser um polo educacional na região Sul. Atualmente, a Ável não possui nenhum escritório fora da capital gaúcha. “Queremos pelo menos dobrar a equipe de assessoria”, diz Pisa.

A XP possui sete escritórios investidos: além da Ável e da SVN, também estão no portfólio Faros, Messem, Blue3, Monte Bravo e Nomos (resultado da fusão das antigas assessorias BRA Investimentos, BS Investimentos e R5 Investimentos). Os acordos com as cinco últimas, no entanto, difere dos mais recentes. Como foram firmados entre junho de 2021 e fevereiro de 2023, antes da vigência da Resolução 178, preveem a criação de novas corretoras com a XP no quadro societário.

“[Comprar participações] não é uma estratégia de defesa da XP, e, sim, de ataque”, diz Diego Gonsalez, head comercial B2B da XP. “Temos parceiros há quatro, cinco, seis anos. Conhecemos bem as empresas. É uma estratégia muito mais de fortalecer nosso ecossistema B2B, pensando no futuro”.

Mariana Segala

Editora-executiva do InfoMoney