Renda fixa

Tesouro Direto: taxas de títulos públicos têm queda nesta sexta-feira

Investidores monitoraram cena política no Brasil, dados da economia americana e discussões sobre novo pacote de estímulo nos EUA

doenças graves
(Shutterstock)

SÃO PAULO – As taxas pagas pelos títulos públicos negociados via Tesouro Direto apresentavam queda na tarde desta sexta-feira (4), em dia de agenda esvaziada na cena doméstica, com os investidores acompanhando dados americanos e de vacinas contra a Covid-19.

O título prefixado com vencimento em 2026 pagava um prêmio anual de 6,83%, ante 6,92% ontem. A taxa paga pelo mesmo papel com juros semestrais e prazo em 2031, por sua vez, recuava de 7,46% para 7,39% ao ano.

Entre os papéis indexados à inflação, o com vencimento em 2026 pagava uma taxa anual de 2,60% nesta tarde, ante 2,69% a.a. no pregão anterior. Já o juro pago pelo Tesouro IPCA+ 2035 era de 3,85%, abaixo dos 3,88% pagos anteriormente.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos nesta sexta-feira (4):

Fonte: Tesouro Direto

Cena doméstica

Com a agenda de indicadores esvaziada nesta sexta-feira, os investidores monitoraram o noticiário político no Brasil.

Ontem, durante evento promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que um desentendimento político impede a tramitação da reforma tributária no Congresso.

“Colaboramos com a segunda fase, a Vanessa (Canado, assessora especial do Ministério da Economia), que trabalha conosco, estava em conexão direta com o relator Aguinaldo (Ribeiro, PP-PB), fornecendo os nossos ‘insights’ sobre a segunda fase, que eram os impostos indiretos, IPIs (Imposto sobre Produto Industrializado), seletivos, etc”, afirmou Guedes.

“E, de repente, com esse impasse político, esse desentendimento político envolvendo a disputa da presidência da Câmara, a conversa está mais ou menos interrompida.”

Isso porque o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar se permite que os atuais presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), podem disputar a reeleição para se manterem em seus cargos até fevereiro de 2023.

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Os mandatos de ambos têm sido marcados por enfrentamentos com o governo de Jair Bolsonaro. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, articulações políticas de bastidores, mudanças constitucionais recentes e a simpatia de ministros do STF com a postura dos dois líderes em relação ao governo têm alimentado a esperança de que ambos possam se manter em seus cargos.

Apesar de falar em “impasse político”, Guedes disse acreditar que a reforma tributária pode sair sem demora. “Acho que nós vamos fazer um acordo rapidamente, isso pode ser retomado, ou agora ou então depois, mas a verdade é que vamos fazer essa reforma”, pontuou.

Quadro internacional

Na cena externa, os mercados monitoraram a divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos em novembro, bem como dados sobre pedidos de fábrica, de bens duráveis e de bens de capital relativos a outubro.

Em novembro, o país criou 245 mil vagas de emprego, resultado abaixo da mediana das expectativas dos economistas compilada pela Bloomberg, que apontava para a geração de 475 mil postos de trabalho no período.

Os investidores também acompanharam o noticiário em torno da aprovação de um novo pacote de estímulos para a economia americana. Ontem, veículos noticiaram que congressistas conservadores dos EUA vêm demonstrando apoio ao projeto bipartidário de US$ 908 bilhões de estímulos, apresentado na terça-feira (1).

O valor do pacote fica bem abaixo dos US$ 2,2 trilhões defendidos por líderes democratas. O seu grande oponente continua sendo, no entanto, o líder da maioria republicana no Congresso, o senador pelo estado do Kentucky, Mitch McConnel, que defende um projeto de US$ 500 bilhões.

Ainda no radar, representantes da União Europeia e do Reino Unido realizaram na quinta-feira conversas sobre a aprovação de um novo acordo comercial para substituir o atual, que expira em 31 de dezembro.

O jornal britânico Financial Times reportou, no entanto, que o Reino Unido acusa a França de fazer demandas de última hora, o que pode dificultar a aprovação de um pacote antes do fim da semana.

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Destaque ainda para a notícia de que a farmacêutica Pfizer cortou a meta de produção de doses de vacina contra o coronavírus para 2020 pela metade, depois de imprevistos com suprimentos. Mesmo assim, a Pfizer ainda planeja entregar mais de um bilhão de doses do imunizante produzido em parceria com a alemã BioNTech em 2021.

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