Renda fixa

Tesouro Direto: em mais um dia de forte volatilidade, taxas dos títulos públicos avançam com aversão ao risco, petróleo e commodities

Prefixados oferecem até 12,10% na tarde desta terça-feira

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos operam em alta na tarde desta terça-feira (12). Nos títulos prefixados as taxas sobem até 12 pontos-base.

Segundo Flavio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos, os juros chegaram a cair durante o dia por conta da surpresa positiva com o Índice de Preços ao Consumidor nos Estados Unidos (CPI, na sigla em inglês).

O CPI acelerou e teve alta de 1,2% em março, em linha com o esperado pelo mercado. “Mas o núcleo da inflação veio melhor que o esperado, com taxas mais baixas de veículos usados e aluguel”, destaca Serrano.

No entanto, o economista aponta que ao longo do dia um sentimento de aversão ao risco foi aumentando por conta da escalada das tensões na Rússia, alta do petróleo e commodities. O dólar reduziu queda e os juros subiram.

No radar do mercado, Serrano cita a pauta de votação no Congresso sobre os destaques do auxílio emergencial, em relação a aumentar o valor ou tornar o auxílio permanente, que pode trazer impactos para futuras sessões nos juros.

Dentro do Tesouro Direto, o título prefixado de médio prazo apresentava a maior alta nas taxas. O Tesouro Prefixado 2029 oferecia uma rentabilidade anual de 11,92%, superior aos 11,80% vistos na segunda-feira (11).

Enquanto o Tesouro Prefixado 2025 e o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentavam um retorno anual de 12,10% e 11,98%, respectivamente acima dos 12,05% e 11,87% da sessão anterior.

Nos títulos atrelados à inflação, a maior alta era nas taxas dos papéis com vencimento em 2035, 2045 e 2055 que avançavam 7 pontos-base.

O Tesouro IPCA+ 2035 e o Tesouro IPCA+ 2045 ofereciam uma rentabilidade real de 5,61% às 15h20, superior aos 5,54% registrados ontem.

Já o Tesouro IPCA+ 2055, com juros semestrais, apresentava um ganho real de 5,74%, acima dos 5,67% da sessão anterior.

Pelo segundo dia consecutivo, as negociações no Tesouro Direto foram suspensas no início da manhã. A interrupção desta terça-feira (12) levou mais de uma hora. A parada nos negócios ocorre para evitar que o investidor feche transações que não refletem corretamente as condições do mercado.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (12):

Serviços no Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (12) que o setor de serviços brasileiro recuou 0,2% na base mensal, frustrando as expectativas do mercado, que esperava crescimento de 0,8%. Além disso, o IBGE tornou publico também que em janeiro o setor de serviços recuou 1,8% frente a dezembro, não 0,1%, como divulgado anteriormente.

O setor de serviços representou em 2020 cerca de 70% de todo o produto interno bruto brasileiro (PIB). Após um pequeno intervalo de otimismo nos últimos meses, com valorização das commodities e do Real, alguns analistas já esperam que as revisões para cima sejam interrompidas.

“Os dados da pesquisa mensal de serviços (PMS) surpreenderam negativamente. O tom negativo do resultado vem não só da queda inesperada no mês de fevereiro, mas também pela revisão dos dados de janeiro” comenta Luca Mercadante, economista da Rio Bravo Investimentos.

Mercadante destaca que a performance dos serviços de informação e de “outros serviços” pesaram negativamente sobre o índice – as duas atividades, na sequência, recuaram 1,2% e 0,9%.

Ele pontua ainda que os serviços prestados às famílias ficou praticamente no zero a zero, com alta de 0,1%, enquanto se esperava um avanço mais forte, por conta da queda dos casos e mortes por covid-19.  “Mesmo com o fim dos efeitos da onda de ômicron vista em janeiro, os serviços continuam a sentir a queda da renda real causada pela alta inflação e os efeitos da política monetária conduzida no ano passado”, afirma.

O Goldman Sachs, por outro lado, chega a ver com bons olhos a pequena expansão do setor de serviços a famílias. “Esperamos que alguns dos setores de serviços ainda afetados pelo Covid (em particular o de serviços às famílias) se recuperem ainda mais nos próximos meses, em conjunto com mais progressos no cenário do Covid e estímulos fiscais renovados”, comentam.

CPI

Na cena internacional, o destaque está nos números do CPI dos Estados Unidos, que acelerou e teve alta de 1,2% em março frente fevereiro, em linha com o esperado, segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho nesta terça-feira (12), após avanço de 0,8% no mês anterior. Na base anual, a alta foi de 8,5%.

O núcleo da inflação (que exclui alimentos e energia), por sua vez, teve alta de 0,3% em março frente fevereiro, abaixo do esperado. Na comparação anual, a alta foi de 6,5%.

O consenso Refinitiv apontava para alta de 1,2% do índice cheio na base mensal e de 8,4% na comparação anual.

Já para o núcleo, a projeção era de avanço de 0,5% frente fevereiro, levando a uma alta esperada frente igual período de 2021 de 6,6%.

Petróleo

Os preços internacionais do petróleo aceleram nesta terça, refletindo comunicado da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que cortou a previsão de crescimento da demanda mundial de petróleo. Os motivos citados foram o impacto da invasão da Ucrânia pela Rússia, o avanço da inflação e o agravamento da covid-19 na China.

O WTI com entrega para maio subia 6,63%, a US$ 100,54 por volta das 14h45; enquanto o Brent para junho avançava 6,15%, a US$ 104,54.

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