Renda fixa

Tesouro Direto: juros dos títulos públicos reduzem alta; retorno de Tesouro IPCA+ 2055 recua após se aproximar de patamar recorde

Papel atrelado à inflação e com pagamento de juros semestrais oferece até 5,50% ao ano, enquanto prefixados pagam até 11,49% anuais

Por  Bruna Furlani -

Após uma manhã de alta mais intensa nas taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto, o mercado apresenta leve avanço nos juros na tarde desta quinta-feira (6), na comparação com a sessão anterior.

Investidores repercutem os números da produção industrial brasileira. Mais uma vez, os dados apresentados hoje frustraram os analistas, ao mostrar que a indústria recuou 0,2% em novembro na comparação com o mês anterior.

Na visão de especialistas, o resultado apenas reforçou que a atividade econômica não deve crescer no quarto trimestre. Ainda na cena local, o mercado monitora a divulgação do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que veio mais fraco do que o esperado pelos agentes financeiros.

Diante de um cenário mais difícil em termos de atividade no Brasil, os efeitos provocados no mercado pelo tom mais hawkish (inclinado ao aperto monetário) adotado pelo Federal Reserve, que é o banco central americano (o Fed), na ata divulgada ontem (5), ficaram um pouco de lado durante a tarde.

Dentro do Tesouro Direto, às 15h20, os juros oferecidos pelo Tesouro Prefixado 2024 eram de 11,49%, contra 11,65% ao ano, na abertura das negociações. Um dia antes, a taxa oferecida era de 11,47%. Com isso, o percentual pago por esse título alcançou o maior patamar verificado desde o dia 3 de dezembro de 2021.

No mesmo horário, o papel prefixado com vencimento em 2031 e pagamento de juros semestrais oferecia um retorno de 11,26% ao ano, abaixo dos 11,43% ao ano vistos no início da manhã. Os percentuais, no entanto, seguem acima dos 11,27% registrados ontem.

A diferença entre o papel de prazo mais curto (2024) e o de prazo mais longo (2031) voltou a subir de maneira mais expressiva nos últimos dias. Na atualização das 15h20, a distância entre os retornos dos dois era de 23 pontos-base (0,23 ponto percentual). Para fins de comparação, na última segunda-feira (3), esse valor chegou a ser de 6 pontos-base (0,06 ponto percentual).

Entre os papéis de inflação, a remuneração real do Tesouro IPCA+ 2026 recuava de 5,34% para 5,26% ao ano, às 15h20. Na sessão anterior, o retorno real era de 5,21%. Da mesma forma, o papel com vencimento em 2055 e juros semestrais oferecia uma taxa de 5,50% ao ano, abaixo dos 5,60% ao ano vistos no começo do dia. No entanto, o valor é maior do que os 5,46% da sessão anterior.

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No início dos negócios desta quinta-feira, a taxa oferecida pelo Tesouro IPCA + 2055 chegou a se aproximar do patamar recorde oferecido por esse título que é de 5,68% e que foi alcançado em 29 de outubro de 2021. Esse papel começou a ser negociado em fevereiro de 2020.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta quinta-feira (6): 

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Produção industrial

O destaque da agenda econômica está nos dados da indústria, que teve o sexto mês consecutivo de resultados no campo negativo.

Já na comparação com novembro de 2020, a indústria recuou 4,4% ante novembro de 2021. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os números frustraram as estimativas. A expectativa mediana de analistas ouvidos pela Refinitiv era de leve alta de 0,1% na comparação mensal, e de queda de 4,2% na comparação anual.

Apesar de acumular, nos 11 meses de 2021, um avanço de 4,7% frente ao mesmo período do ano anterior, a indústria continua a se afastar cada vez mais do patamar pré-pandemia, destaca o Instituto.

Em entrevista ao InfoMoney, João Leal, economista da Rio Bravo, disse que o resultado negativo reforça a visão de que o Produto Interno Bruto (PIB) não deve crescer no quarto trimestre.

“Apesar de uma melhora marginal nos gargalos da cadeia de suprimentos, a desaceleração da demanda e a alta no juro básico devem continuar mantendo a indústria fragilizada nos próximos meses. Esperamos apenas um leve crescimento para dezembro, insuficiente para fazer o setor apresentar variação positiva no quarto trimestre”, afirma.

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Internacional

Enquanto isso, na cena externa, o índice S&P e Nasdaq são negociados próximo da estabilidade perto das 16h (horário de Brasília) desta quinta-feira, enquanto o Dow Jones apresentam leve queda. O movimento é resultado da ata do Fed, que aumentou o sentimento de aversão ao risco nos mercados.

No documento, o Fed surpreendeu ao considerar subir os juros antes do que o previsto. Agora, o mercado precifica que a probabilidade dele aumentar o juro em março é de 71%. Chama a atenção também que a minuta da autoridade monetária informou que ela vai começar a reduzir seu balanço patrimonial, atualmente em 8,3 trilhões de dólares.

“Esperávamos que a ata da reunião de dezembro fosse relativamente irrelevante. […] Claramente, estávamos bem errados sobre nossas expectativas iniciais e a minuta, na verdade, trouxe mudanças de perspectiva para a política monetária”, escreveu Alberto J. Bernal, estrategista-chefe global da XP.

Na Europa, os índices também repercutem hoje a ata do Federal Reserve, já que as Bolsas estavam fechadas quando a minuta foi divulgada ontem, no fim da tarde. O índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne ações de empresas de 17 países do continente, cai 1,25%, por volta das 16h (horário de Brasília).

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