Renda fixa

Tesouro Direto: com Copom e exterior mais positivo no radar, juros de títulos públicos operam sem direção única

Papéis prefixados são negociados próximo da estabilidade, enquanto títulos de inflação operam com alta nas taxas

Por  Bruna Furlani -

A sessão desta terça-feira (7) marca o início da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que termina na quarta-feira (8) com o anúncio do novo patamar da taxa básica de juros, a Selic.

Segundo o último Relatório Focus, do Banco Central, a projeção é de que a taxa básica de juros seja elevada para 9,25% ao ano, chegue a 11,25% em 2022 e recue para 8% em 2023.

Além de novidades sobre a política monetária, investidores monitoram os desdobramentos em torno da PEC dos Precatórios. Após modificação do texto no Senado, a proposta precisa ser submetida a nova análise da Câmara. Com isso, o governo corre contra o tempo para que a questão seja resolvida com o objetivo de garantir espaço fiscal para o Auxílio Brasil no valor de R$ 400.

Já na cena internacional, o dia é de bom humor entre os agentes financeiros com os índices estrangeiros e com as commodities operando em terreno positivo.

Após avançar no começo da manhã, os títulos públicos negociados no Tesouro Direto apresentam movimento misto na segunda atualização da tarde. Papéis prefixados são negociados próximo da estabilidade, enquanto títulos de inflação operam com alta nas taxas.

Entre os papéis atrelados à inflação, os juros reais do Tesouro IPCA+ 2026 avançavam de 4,85% ao ano na sessão de ontem para 4,96% ao ano, às 15h20 da tarde. No começo da manhã, o retorno real pago por esse título era de 4,93% ao ano. Nesse mesmo horário, o Tesouro IPCA+ 2035 e 2045 oferecia rentabilidade real de 5,15% ao ano, acima dos 5,10% registrados na sessão anterior e dos 5,18% ao ano, vistos na abertura das negociações.

Já entre os prefixados, o papel com vencimento em 2031 pagava juros de 10,94%, em linha com os 10,95% vistos um dia antes. No começo da manhã, no entanto, esse título pagava um retorno de 11,02% ao ano.

O Tesouro Prefixado com vencimento em 2024, por sua vez, oferecia retorno de 11,05%, contra 11,00% ao ano na sessão anterior. Esse era o único título que avançava entre as opções prefixadas.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (7): 

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Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

PEC dos Precatórios e MP do Auxílio Brasil

Uma das preocupações centrais do governo está agora na PEC dos Precatórios, que vai ajudar a abrir espaço fiscal no Orçamento de 2022 para garantir o pagamento do Auxílio Brasil de R$ 400.

O texto-base aprovado pelo Senado na semana passada promoveu alterações ao texto da Câmara. Logo, por ser uma Proposta de Emenda à Constituição, ela precisa retornar à primeira Casa para só então ser promulgada.

Diante do impasse sobre a questão, Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, tem defendido a possibilidade de fatiamento da proposta por meio de uma “PEC Paralela”, o que viabilizaria a promulgação dos pontos em comum aprovados por ambas as casas e o envio de modificações feitas pelos senadores para a análise dos deputados.

A proposta também é defendida pelo Palácio do Planalto, que corre para garantir o Auxílio Brasil às vésperas do ano de eleições. Não é à toa que o governo vai editar uma medida provisória para conseguir bancar o benefício de R$ 400 em dezembro.

Segundo apuração do jornal O Estado de S.Paulo, o valor do crédito deverá ficar em torno de R$ 2,7 bilhões. A ideia de correr com a medida provisória é porque apenas assim será possível garantir o pagamento em dezembro, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal.

Os recursos virão das sobras de recursos obtidos com o auxílio emergencial, que terminou em outubro e que foi concedido durante a pandemia.

Casa do moeda e combustíveis

Após muita polêmica, o presidente Bolsonaro editou ontem (6) decreto que exclui a Casa da Moeda do Programa Nacional de Desestatização (PND) e revoga a qualificação da estatal no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Em novembro de 2019, Bolsonaro chegou a editar uma medida provisória que colocava fim ao monopólio da Casa da Moeda na confecção de dinheiro e passaporte. No entanto, a MP caducou.

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Outro tema que volta à cena política é o preço dos combustíveis. Depois de dizer que a Petrobras anunciaria uma redução no valor dos combustíveis nesta semana – e levar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a abrir processo administrativo contra a estatal –, o presidente Bolsonaro declarou ontem que o preço da gasolina “tem que cair” com as baixas nas cotações do petróleo Brent, que é usado como referência pela Petrobras.

Ontem, o contrato futuro do petróleo tipo Brent negociado em Londres fechou a US$ 73,08 o barril. Um mês atrás, o contrato futuro mais líquido desse ativo terminou a sessão cotado em US$ 82,74. Em um mês, portanto, houve queda de US$ 9,66.

Após a declaração do presidente, a Petrobras (PETR3;PETR4) informou em comunicado ao mercado ontem que não antecipa decisões de reajuste e reforçou que não há nenhuma decisão tomada por seu Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP) que ainda não tenha sido anunciada.

Cenário internacional

Enquanto isso na cena externa, o dia é marcado pela melhora do humor entre os agentes financeiros. Dados preliminares apontam que a nova variante ômicron pode não ser tão grave quanto se imaginava, segundo estudos divulgados ontem (6) por médicos e pesquisadores da África do Sul. Apesar de o maior otimismo, o mercado entende que ainda é cedo para comemorar e segue monitorando os riscos.

Na zona do euro, investidores repercutem a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) da região. Segundo a Eurostat, agência de estatística da União Europeia, a atividade econômica cresceu 2,2% entre julho e setembro na comparação com os trimestre anterior.

Essa foi a leitura final do indicador, que confirmou a segunda estimativa divulgada em 16 de novembro.

Já a produção industrial da Alemanha subiu 2,8% em outubro, ante previsão de alta de 1,0%. As informações são da Destatis, agência oficial de estatísticas do país. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o indicador registrou queda de 0,6% em outubro.

O resultado superou expectativas de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam avanço de 1% no período.

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Já nos Estados Unidos, os índices americanos registram forte avanço durante a tarde desta terça-feira. A aceleração do ritmo do tapering (programa de redução de compra de ativos) pelo Fed, o banco central americano, deve abrir caminho para o aumento das taxas no ano que vem, como principal ferramenta de combate às pressões inflacionárias, e isso vem testando o apetite dos investidores.

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