Carta da gestora

SPX: Fed inicia manobra para que economia americana “chegue mais perto do porto”

Para gestora de Rogério Xavier, Fed adotou “tom mais conservador” ao iniciar conversas sobre redução de compra de ativos e alta de juros

Por  Bruna Furlani -

SÃO PAULO – A sinalização de dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, de que poderá subir a taxa de juros dos Estados Unidos a partir de 2023, mostra que a autarquia deu início a uma “manobra de ancoragem” e que agora o mundo vai acompanhar a chegada da economia americana mais perto do “porto depois da tempestade de Covid”. A avaliação foi feita pela gestora SPX, em carta de gestão do multimercado Nimitz referente ao mês de junho.

No documento, a casa do renomado gestor Rogério Xavier também viu como positivo o tom adotado na ata da reunião de junho do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que revelou que não há pressa para começar a reduzir as compras de ativos, embora os dirigentes já estejam pensando no momento mais adequado para fazer isso.

“Depois de muito tempo esperando que o comitê começasse a falar que começaria a falar sobre o início da redução de compras de ativos (tapering), finalmente um tom mais conservador foi utilizado”, destacou a gestora.

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Para os especialistas da casa, a postura do Fed foi, inclusive, o fator que ditou o ritmo dos mercados em junho. Após algumas mudanças de sinalizações, a volatilidade dos juros americanos subiu bastante e houve movimento bem acentuado de achatamento da curva.

Segundo a carta, ao mesmo tempo em que o banco central americano parece se preparar para mudar o tom da política monetária americana em breve, os mercados emergentes já corrigem o rumo da economia. “Ninguém parece querer ficar pra trás e parece ter espaço pra mais.”

Embora o tom tenha sido um pouco mais animador com a postura do Fed, a gestora voltou a se mostrar preocupada com a inflação americana. Para a casa, a palavra “transitória”, que vem sendo utilizada por Jerome Powell, presidente do Fed, para se referir à inflação causa “certo temor”.

Na visão da SPX, quando há inflação impulsionada pelo preço de carros usados, ou pelo preço da madeira, é preciso “ficar atento”. Mas quando os preços de moradia sobem com a inflação do aluguel vindo a “reboque” e os preços dos alimentos e os desafios logísticos crescem, isso deixa a gestora “intranquila quanto à frieza do Fed e sua retórica sobre transitoriedade”.

“Parece claro que cresce a preocupação quanto às condições monetárias frouxas e as consequências dessa política nos ativos de forma geral”, alerta a SPX.

Os especialistas ainda afirmaram que a postura bem mais preocupada do Fomc com a pressão dos custos com mão de obra e o menor desemprego deixam o mercado mais inseguro e vulnerável aos indicadores de curto prazo.

Brasil

Ao falar sobre o Brasil, a gestora afirmou que há uma janela importante a ser aproveitada. Contudo, se mostrou preocupada com a possibilidade de que mais uma vez o país possa “tropeçar em nossas próprias pernas”.

Para a casa, o Banco Central deve buscar o controle da inflação de 2022 por meio de altas no curto prazo, evitando assim, um ciclo mais longo que se encerre em uma taxa terminal mais elevada.

Na visão dos especialistas da gestora, com o avanço da vacinação, o segundo semestre será marcado no Brasil e no resto do mundo pela reabertura de diversas fronteiras, com a vida voltando ao “normal”.

Posições da carteira

Sobre as posições da carteira, a visão da casa é que as condições monetárias atualmente não estão calibradas para a recuperação econômica. Para a gestora, a expectativa é que esse desequilíbrio que foi criado continue a ser corrigido e que isso resulte em taxas de juros globais mais elevadas.

A gestora conta que adicionou ainda uma alocação focada na desinclinação da curva de juros brasileira, dada a postura mais incisiva do Banco Central na política monetária. E que manteve as posições compradas em inflação implícita e aplicada em juros reais na parte intermediária da curva aqui do Brasil.

Na renda variável internacional, a SPX diz que aumentou a exposição direcional aos Estados Unidos e empresas de maior qualidade com valuation atrativo, que podem ser beneficiadas com uma reforma tributária, e que reduziu a exposição a Europa e a setores cíclicos.

Já sobre a exposição à renda variável no Brasil, a gestora diz que manteve as posições compradas em setores de consumo, mineração e transportes.

De olho em outros ativos, a SPX disse que seguiu com alocações compradas em energia, metais industriais, crédito de carbono e em grãos. A gestora também se mostrou atenta ao cenário de crédito americano, com posições compradas em setores que devem se beneficiar da retomada da economia e com proteções por meio de índices e de papéis do setor de energia e mídia. Além disso, ressaltou que está posicionada no cenário de crédito na América Latina por meio de bonds e com uma carteira focada na recuperação do risco de crédito na região.

Em junho, o fundo multimercado Nimitz rendeu 0,30% e igualou os ganhos aos do CDI. No acumulado do ano, o fundo tem valorização de 7,03%, ante 1,27% do benchmark.

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