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Sphere de Las Vegas “dá show” no mercado com ações em disparada – mas REIT, nem tanto

Papéis da Sphere Entertainment Company subiram 11% nos EUA no primeiro pregão após inauguração com apresentação da banda irlandesa U2

Equipe InfoMoney

Sphere Las Vegas, inaugurada com show do U2 em 29/09/23 (Bloomberg)

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O primeiro show realizado na Sphere Las Vegas – um enorme espaço em formato de esfera recoberto com mais de um milhão de LEDs na cidade americana dos cassinos – foi do U2, na última sexta-feira (29). E na segunda (2), enquanto vídeos da performance da banda irlandesa viralizavam nas redes sociais, um segundo show acontecia – mas, esse, na Bolsa de Nova York (Nyse).

As ações da Sphere Entertainment Company, comandada pelo CEO James Dolan, subiram 11%, fechando em US$ 41,29. As cotações do papel quase dobraram nesse ano. Dolan também também dirige o Madison Square Garden Sports e o Madison Square Garden Entertainment.

Para Paul Golding, analista do Macquarie que assistiu ao show, disse que a empresa “alcançou seu objetivo de estabelecer um novo padrão na categoria ao vivo”, com uma experiência que confundia “os limites entre os planos digital e físico de maneiras que desconhecemos se existiriam de outra forma”.

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A construção da Sphere consumiu US$ 2,3 bilhões e chamou a atenção para Las Vegas em um momento em que os gastos das pessoas em cassinos e hotéis diminuem, no ritmo do fim dos cheques de estímulo recebidos durante a pandemia.

“A experiência na Sphere nos deixou mais otimistas de que a receita de eventos ao vivo superará nossas expectativas atuais”, escreveu Benjamin Swinburne, analista do Morgan Stanley. Tanto ele quanto Golding, do Macquarie, têm recomendação equivalente à “neutro” para as ações Sphere Entertainment Company, com preço-alvo de US$ 32 e US$ 24, respectivamente.

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REIT

Wall Street ainda está em grande parte à margem das ações da empresa – ​​apenas dois analistas atribuem à empresa classificações equivalentes à de “compra”, enquanto seis optam pela manutenção. O preço-alvo médio de cerca de US$ 31 representa uma queda de 25% em relação ao fechamento de segunda.

Enquanto as ações da Sphere Entertainment Company brilhavam no pregão, o mesmo não acontecia com as da Vici Properties, o REIT – Real Estate Investment Trust, equivalente a um fundo imobiliário – que é dono do terreno onde a Sphere foi construída.

Os papéis recuaram cerca de 1,5% na segunda. O consenso dos analistas sobre o potencial do Vici, no entanto, soa melhor do que o da empresa responsável pela operação da Sphere. As recomendações equivalentes a “compra” somam 20, contra apenas três de manutenção, conforme o site MarketWatch.

O REIT comprou, em fevereiro do ano passado, todos os terrenos e ativos imobiliários associados ao Venetian Resort e ao Venetian Expo and Convention Center, ambos em Las Vegas, pela bagatela de US$ 4 bilhões – pagos em dinheiro. É dentro da propriedade do Venetian Resort que fica a Sphere.

Nos últimos anos, a Vici Properties se tornou uma das histórias de sucesso mais surpreendentes no negócio de jogos de azar. Com sede em Nova York, possui 54 propriedades nos EUA e no Canadá, incluindo resorts icônicos. É atualmente o maior proprietário de cassinos de Las Vegas, com mais de 25% dos quartos de hotel da cidade.

Seu modelo de negócio é ser dona dos imóveis, enquanto gigantes como a Caesars Entertainment, a MGM Resorts International e a Hard Rock International operam as propriedades e pagam aluguel sob contratos de longo prazo.

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A Vici, que tem apenas 26 funcionários, gerou receitas de US$ 2,6 bilhões no ano passado e US$ 2,2 bilhões em lucro antes de juros, impostos e depreciação. A empresa duplicou de tamanho nos últimos dois anos, engolindo propriedades como o próprio Venetian Resorte e o portfólio da rival MGM Growth Properties.

Nesse ano, com as taxas de juro em alta, as ações estão sofrendo um recuo de aproximadamente 11%, já que os investidores ficaram menos entusiasmados com os dividendos entre 5% e 6% da Vici. Alguns também podem temer que a empresa tenha dificuldade em encontrar novas propriedades que lhe permitam crescer no ritmo histórico.

“Eles ficaram tão grandes agora que será mais difícil mover a agulha”, disse Chad Beynon, analista da Macquarie.

Nova estratégia

Em parte por esse motivo, o CEO Edward Pitoniak está olhando para além dos cassinos. O REIT comprou campos de golfe e emprestou US$ 80 milhões ao Chelsea Piers, um complexo esportivo em Manhattan. Também está ajudando a financiar a construção dos parques aquáticos Great Wolf Resorts e de um spa Canyon Ranch, no Texas, com opção de comprar outras propriedades do spa no Arizona e em Massachusetts.

A Vici emergiu da problemática aquisição alavancada do Caesars, um negócio de US$ 30 bilhões concluído pouco antes da crise financeira de 2008. Incapaz de lidar com a dívida, o Caesars levou sua maior subsidiária à falência. Os fundos de hedge e outros credores criaram a Vici como forma de acelerar a recuperação.

Os REITs, que pagam 90% dos seus lucros aos acionistas e estão isentos de certos impostos, são um elemento de longa data do investimento imobiliário americano. Mas eles são relativamente novos no negócio de cassinos. A Penn Entertainment lançou o primeiro quando desmembrou a Gaming & Leisure Properties em 2013.

A pandemia de Covid-19, que fez com que os cassinos de todo o país fechassem durante alguns meses, provou que o negócio poderia resistir. Os jogadores voltaram com tudo quando os resorts reabriram. Os inquilinos da Vici nunca deixaram de pagar o aluguel.

Privadamente, executivos de cassinos dizem duvidar da viabilidade a longo prazo do modelo REIT, que exige que suas empresas invistam na remodelação dos imóveis e na adição de atrações para fazer com que os hóspedes voltem – mesmo que não sejam elas os proprietários dos edifícios.

As operadoras normalmente trabalham com contratos de arrendamento de 15 anos, o que lhes dá opções de renovação. Para Pitoniak, eles têm incentivos para reinvestir e capturar a valorização das cotas sempre que adotam essa estratégia.

(Com informações da Bloomberg)

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