Onde Investir 2022

Small caps de um lado, títulos de infraestrutura do outro: saiba onde investem os melhores fundos de previdência pelo ranking InfoMoney-Ibmec

Fundo da Trígono foi o vencedor na categoria Previdência Renda Variável, enquanto Capitânia Prev Advisory ganhou entre os de Renda Fixa Crédito Privado

Por  Bruna Furlani -

Mesmo após um ano em que as cotações das small caps – ações de empresas com baixo valor de mercado – em que investe subiram bastante, a expectativa de Werner Roger, CIO da Trígono Capital, para esse tipo de papel é de novos avanços.

“Andou bastante, mas o show está começando. Quem chegar atrasado, vai precisar de binóculo”, afirmou Roger durante live promovida pelo InfoMoney, nesta sexta-feira (28), em que foram revelados os vencedores do ranking InfoMoney-Ibmec de Melhores Fundos, edição 2022, na categoria Previdência.

O fundo Trígono 70 Previdência foi o ganhador na categoria Previdência Renda Variável. Na categoria Previdência Renda Fixa Crédito Privado, o vencedor foi o fundo Capitânia Prev Advisory. Já na categoria Previdência Multimercado, o destaque ficou por conta do fundo Ibiuna Previdência Icatu.

Segundo Roger, da Trígono, a Bolsa está vendo saída de investidores institucionais e fluxo de compra por parte de estrangeiros. Num primeiro momento, eles tendem a buscar mais as ações de empresas com liquidez, que foram as que mais subiram. Depois, tendem a alocar em companhias de liquidez menor – como é o caso das small caps.

Ao destrinchar a estratégia do fundo, Roger afirmou que vem adotando uma gestão defensiva, apostando em empresas cuja receita está atrelada a moedas estrangeiras. A razão, explicou, é que esse tipo de alocação protege o portfólio dos efeitos da inflação e da esperada elevação dos juros nos Estados Unidos.

“Nós estamos também protegidos do mercado local e do internacional. Ao olhar a carteira, cerca de 70% das receitas estão relacionados ao câmbio”, observou.

Em 2021, o Trígono 70 Previdência teve rendimento de 18,7%. O resultado positivo, segundo Roger, refletiu posições em companhias da indústria automotiva pesada, principalmente caminhões e tratores, além de empresas do agronegócio voltadas para silos e armazenagem.

A Trígono possui ainda alocações expressivas no setor de metalurgia e logística. Entre os nomes mais relevantes da carteira estão São Martinho (SMTO3), Tupy (TUPY3), Kepler Weber (KEPL3), Ferbasa (FESA4), Simpar (SIMH3) e Metal Leve (LEVE3).

Recentemente, investidores e analistas passaram a questionar a sustentabilidade do desempenho dos fundos da Trígono e a sua gestão de liquidez, dado que a gestora é responsável por uma parcela relevante das negociações com as small caps em que investe. Ao ser questionado sobre o assunto, Roger afirmou que não investe em empresas “ilíquidas”.

Para exemplificar, citou o caso da Kepler Weber, que gira cerca de R$ 10 milhões por dia na Bolsa, pelos cálculos do executivo. “Se nós pegarmos 22 pregões, vamos ver que ela negocia bem”, disse. “A carteira é muito líquida. Tem um prazo mais curto, mas não temos nenhuma empresa menos líquida”, observou.

Em sua avaliação, o momento agora é de comprar o que o mercado não está comprando. “São empresas que serão identificadas pelos resultados no quarto trimestre [do ano passado] e no primeiro trimestre [deste ano]. Não temos resgates e temos uma captação líquida positiva no ano”, destacou o executivo da Trígono Capital.

No crédito privado, a preferência é por infraestrutura e setor imobiliário

O painel também contou com a participação de Christopher Smith, gestor da Capitânia, que venceu na categoria Renda Fixa Crédito Privado. Em meio a um cenário de alta de juros, o que tende a favorecer a demanda por fundos de crédito, Smith afirmou que está otimista com o mercado. Tem evitado, no entanto, setores relacionados ao consumo e à construção.

Isso porque, segundo ele, o Banco Central deixou claro que vai fazer o que for necessário para a inflação convergir para a meta. Logo, diz, a expectativa é de que os juros básicos subam, elevando também a taxa do CDI.

“Estamos evitando setores de consumo”, disse. “Fugimos também de construção. São dois setores que devem sofrer. Tivemos a alteração da Lei do Distrato, mas mesmo assim o juro mais alto deve comprometer o fluxo de caixa das empresas”, observou.

Ao comentar sobre as preferências dentro do crédito privado, o executivo disse que hoje a alocação está focada em papéis do setor de infraestrutura, em títulos de empresas de energia, como Engie, Energisa e Light. “Infraestrutura tem fluxo de caixa de longo prazo e previsibilidade de retorno mais assertiva do que em outros segmentos”, disse.

Embora fuja de construção, a Capitânia gosta do segmento imobiliário, com empresas como BR Properties. “No imobiliário, nós temos o imóvel dado como garantia. Ao ter isso, você consegue sentar na mesa e negociar muito mais”, destacou Smith.

A gestora olha ainda com atenção o setor de shopping centers. O gestor afirmou que o shopping no Brasil tem um forte componente de lazer, ao oferecer uma ampla gama de serviços em um local com maior segurança.

Emissões e eleições

Ao ser questionado se as emissões de títulos de dívida privada seguiriam fortes, Smith disse que as operações devem continuar expressivas no primeiro trimestre deste ano. À medida em que o cenário político for se desenhando, contudo, as operações podem começar a desacelerar, diz. “Terceiro trimestre vai ser muito fraco. Deve ficar com um vazio de novos papéis”.

Para ele, as eleições podem ser conturbadas, mas não devem representar uma crise. Em sua visão, isso só aconteceria caso um dos candidatos não aceitasse o resultado. Mas esse não é o seu cenário-base.

“Aqui no Brasil, do ponto de vista institucional, ele não tem poder pra fazer ‘arruaça’. As instituições do País têm um pouco mais de controle do que nos Estados Unidos”, avaliou.

Roger, da Trígono Capital, vai na mesma linha e diz que não vê uma crise eleitoral porque não deve haver nenhuma surpresa. “Nós já sabemos como são os candidatos. Ele [Lula] não tomou atitudes contra o mercado nos governos anteriores e se ele não tiver uma boa base política, ele não vai conseguir aprovar as medidas que deseja. Ele [Lula] tem falado sobre estatais agora, mas acho que não vai ter crise de controles de preços”, destaca.

Já ao se referir a Jair Bolsonaro (PL), Roger ressaltou que não acredita que o candidato vai fazer algo muito diferente do governo atual e que acha pouco provável que haja uma terceira via. Mesmo assim, ele não descarta opções mais defensivas. “O dólar pra nós é proteção e se as coisas desviarem do caminho, as empresas [que temos na carteira] vão ganhar com câmbio.

Vencedores

Conheça os vencedores por subcategoria:

Previdência Renda Fixa Crédito Privado

Previdência Multimercado

Previdência Renda Variável

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